Portas recua na demissão e fica no Governo

Paulo Portas deverá manter-se no Governo e com uma posição mais reforçada no acordo de coligação.

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Paulo Portas Nelson Garrido

Este era o cenário mais provável admitido na noite desta sexta-feira, mas que não foi confirmado oficialmente por existir um compromisso de não revelar informação sobre o acordo entregue ao Presidente da República pelo primeiro-ministro.

Tudo indica que Cavaco Silva ainda não validou o acordo, onde alguns pontos ainda estão por fechar. Mas várias fontes referiram ao PÚBLICO ideias comuns: a grande probabilidade de Paulo Portas ficar como vice-primeiro-ministro e o convite feito a António Pires de Lima para ficar com a Economia.

Jorge Moreira da Silva, o primeiro vice-presidente do PSD também terá sido convidado para integrar o Governo.

Esta noite de sexta-feira, na reunião do Conselho Nacional, marcada para adiar o congresso deste fim-de-semana, Portas não adiantou aos conselheiros detalhes do acordo com Passos.

As direcções dos dois partidos reúnem hoje, ao final da tarde (18h), em Lisboa, e farão uma declaração conjunta.

"Não ficarei incomodado se não compreendem"
Na reunião do Conselho Nacional, Portas aproveitou para dar algumas explicações aos centristas sobre a decisão de pedir a demissão do Governo na passada terça-feira, decisão que foi anunciada como "irrevogável", e que causou perplexidade no partido e nos colaboradores mais próximos.

"Não posso esperar que se revejam na decisão. Não fico nem ficarei nada incomodado que não a compreendam e a criticarem", reconheceu o líder do CDS.

Portas afirmou ainda não ser incompatível a decisão de se demitir de ministro dos Negócios Estrangeiros e a de ter um mandato do partido para conduzir as negociações com o PSD. Este pode ser lido como um recado directo a António Pires de Lima, ex-dirigente do partido, que na SIC notícias defendeu que o CDS mostrou não ter solução ao mandatar Portas demissionário para negociar com Passos Coelho.

O líder do CDS admitiu ainda que ao pedir a demissão do Governo sabia "que tinha de estar disponível se necessário para renunciar a qualquer espécie de actividade política quer ao nível do Governo quer ao nível do partido". E sem revelar o teor do novo acordo de coligação sublinhou a opção pelo interesse nacional

"Sempre tive presente que tendo de escolher o interesse do partido e o meu próprio escolheria o do partido e se tivesse de escolher entre o interesse do partido e o interesse de Portugal escolheria o interesse de Portugal", afirmou.