Passos Coelho faz declaração às 19h30

A declaração deverá ser conjunta, mas só o líder do PSD deverá tomar a palavra após reuniões dos partidos. Portas deverá ficar no Governo, com posição reforçada.

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Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, no dia em que assinaram o acordo de coligação José Manuel Ribeiro/Reuters

Na sala do hotel de Lisboa onde os jornalistas aguardam a presença de Passos Coelho e Paulo Portas, estavam inicialmente montados dois microfones, mas agora está só um. E foi confirmado pelas assessorias que apenas o primeiro-ministro usará da palavra.

O encontro entre as direcções dos dois partidos serve para selar o entendimento entre os dois líderes quanto a uma solução para o Governo de coligação. Nele participam, pelo lado do PSD, Jorge moreira da Silva, Luís Montenegro, Marco António Costa, Teresa Leal Coelho e Pedro Pinto. E pelo CDS-PP, Nuno Magalhães, Nuno Melo, Assunção Cristas, Teresa Caeiro e João Almeida.

O líder dos centristas deverá manter-se no Executivo, com uma posição mais reforçada, depois de ter pedido a demissão esta semana, com carácter "irrevogável". Nos últimos dois dias, representantes dos dois partidos renegociaram o acordo de coligação que sustenta o Governo.

Embora o acordo entre os dois partidos tenha aspectos por fechar, várias fontes referiram ao PÚBLICO ideias comuns sobre o novo figurino governamental: a grande probabilidade de Portas ficar como vice-primeiro-ministro e o convite feita a António Pires de Lima para ficar com a pasta da Economia. Jorge Moreira da Silva, o primeiro vice-presidente do PSD, também terá sido convidado para integrar o governo.

O primeiro-ministro levou na sexta-feira, ao final da tarde, ao Presidente da República uma solução para a crise política, mas um compromisso de silêncio sobre os termos da proposta não permitiu ainda confirmação oficial do teor do acordo. 

Cavaco Silva determinou que precisaria de tempo de reflexão e marcou as audiências que faltava agendar para terça-feira, precisamente com os partidos da maioria e o PS. Antes disso não deverá dizer nada sobre a crise política, mantendo a situação de incerteza em "banho-maria".

Na sexta-feira, após o fim do encontro do primeiro-ministro com Cavaco Silva, os mais altos dirigentes do PSD e do CDS, Jorge Moreira da Silva e Nuno Melo respectivamente, sublinharam que a proposta entregue ao Presidente da República assegura a coesão e a estabilidade governativa.

Paulo Portas disse na sexta-feira à noite ao conselho nacional do CDS que o acordo alcançado com o PSD "é bom para Portugal e para a coligação". Mas nada revelou sobre o seu conteúdo, dizendo que está nas mãos do Presidente da República.