Venezuela, Bolívia e Nicarágua oferecem asilo a Snowden

Declarações públicas ao mais alto nível de Nicolás Maduro, Evo Morales e Daniel Ortega.

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“Quem viola a lei internacional?", perguntou Maduro REUTERS/Miraflores Palace/via Reuters

A oferta de "asilo humanitário" do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi feita na sexta-feira, antes do início de uma parada militar que comemorava os 202 anos da declaração de independência da Venezuela. O chefe de Estado afirmou que, ao conceder asilo a Snowden, estaria a protegê-lo da "perseguição do império mais poderoso do mundo".

"Anuncio aos governos amigos do mundo que decidi oferecer asilo humanitário ao jovem norte-americano Edward Snowden, para que possa viver na pátria de Bolívar e de Chávez, depois de ter começado a perseguição do império mais poderoso do mundo a um jovem que decidiu dizer a verdade", disse Maduro num tom inflamado, citado pelo El Universal.

"Quem viola a lei internacional? Um jovem que numa atitude de rebeldia decidiu dizer a verdade sobre a espionagem dos Estados Unidos contra o mundo, ou um governo como o dos Estados Unidos, um poder como o das elites imperialistas que espiam o mundo inteiro?", questionou Maduro.

Por seu lado, o Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, também se mostrou receptivo a aceitar o pedido de asilo. "Estamos disponíveis, respeitamos o direito de asilo, e é claro que, se as circunstâncias o permitirem, receberemos Snowden com todo o prazer e damos-lhe asilo aqui na Nicarágua", disse Ortega numa intervenção pública, adiantando que o seu Governo recebeu o pedido de asilo na embaixada de Moscovo.

A meio da tarde de hoje, o Presidente da Bolívia, Evo Morales, repetiu a ideia que deixara há uma semana, mas endureceu o tom, apesar de reafirmar que não recebeu nenhum pedido oficial de Snowden. "Em sinal de protesto, quero dizer aos europeus e aos norte-americanos: vamos conceder asilo a este americano perseguido pelos seus compatriotas se ele o solicitar. Não temos medo."
Passaporte revogado
Suspeita-se que o norte-americano, cujo passaporte foi revogado, está na zona de trânsito do aeroporto de Sheremetievo, na capital russa, desde o dia 23 de Junho, à espera de um país que o receba.

Snowden, que revelou programas secretos de intercepção de comunicações pessoais, pediu asilo a mais seis países, para além dos 20 que já estavam em cima da mesa, anunciou na sexta-feira a organização WikiLeaks.

"Edward Snowden pediu asilo a outros seis países. Não serão revelados neste momento por causa da interferência dos Estados Unidos", avançou a WikiLeaks, numa mensagem divulgada no Twitter.

O antigo analista informático contratado pela NSA pediu asilo a um total de 26 países (retirou um pedido feito à Rússia), a maioria dos quais rejeitou o pedido ou colocou como condição a presença do requerente nos respectivos territórios.

Os últimos países a negarem asilo a Snowden foram a Itália e a França, cujo ministro do Interior, Manuel Valls, explicou que os Estados Unidos são "um país amigo" e "democrático", que têm "uma justiça independente" e com o qual existem acordos de cooperação judicial.

Edward Snowden, ex-funcionário da CIA e analista da NSA subcontratado, revelou aos jornais The Guardian e The Washington Post a vigilância realizada pela Administração norte-americana aos registos telefónicos e da Internet de milhões de cidadãos, conhecido como Prism.

A polémica aumentou depois das revelações sobre espionagem dos Estados Unidos à União Europeia, ONU e a 38 embaixadas de países como Japão, México, Itália e França.