Calor: autoridades alertam para "previsões meteorológicas preocupantes"

Temperaturas poderão superar máximos históricos. Saúde teme efeitos sobre a mortalidade.

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Paulo Pimenta

Segundo o presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Miguel Miranda, as  temperaturas estão a aproximar-se dos máximos históricos na generalidade do país. A previsão do IPMA aponta para uma máxima de 38 graus Celsius em Lisboa esta sexta-feira e 42 graus no sábado – equivalente ao recorde histórico, registado no Verão de 2003.

“Não quer dizer que nalguma zona da cidade este valor não seja ultrapassado significativamente”, ressalvou Miguel Miranda, explicando que nas zonas urbanas as variações podem ser de até três graus Celsius.

Segundo as previsões do IPMA, as regiões do Vale do Tejo e do interior Sul vão atingir entre 38 e 44 graus. No litoral Oeste e no interior Norte e centro os termómetros vão variar entre os 32 e os 40 graus e no litoral Sul entre os 27 e os 32 graus.

Para complicar a situação, as temperaturas mínimas serão também elevadas e mesmo no litoral não haverá brisa fresca nocturna para aliviar o calor. Temperaturas elevadas à noite aumentam substancialmente o risco de efeitos na saúde.

O IPMA colocou 11 dos 18 distritos do território continental sob alerta laranja de calor, o segundo mais grave. Já a Direcção-Geral de Saúde (DGS) tem esta sexta-feira 15 distritos sob alerta amarelo, também o segundo da sua escala para os efeitos do calor. A verde estão apenas Aveiro, Guarda e Faro.

Numa conferência de imprensa conjunta com o IPMA, o director-geral de Saúde, Francisco George, referiu que o país está sob “previsões meteorológicas preocupantes” e pediu à comunicação social que divulgasse dez recomendações de prevenção contra o calor. As principais são beber muita água mesmo sem ter sede e ficar em casa ou em recintos com zonas frescas, resguardadas do sol, mesmo durante a noite. O calor excessivo pode ser especialmente perigoso para crianças, grávidas, idosos e doentes crónicos, que devem ser acompanhados de perto.

Neste momento regista-se já uma maior procura das urgências e centros de saúde e a previsão para os próximos dias é de que o calor possa causar efeitos mais graves, se não forem tomadas medidas de prevenção.

Sem tais medidas, os indicadores disponíveis apontam para a possibilidade de um excesso de óbitos semelhante ao do Verão de 2003, quando morreram cerca de 2000 pessoas em Portugal, sobretudo idosos.

Depois de 2003, o Ministério da Saúde elaborou um plano de contingência para o calor, que tem sido revisto e actualizado ano a ano. O plano foi agora “activado na sua generalidade”, disse Francisco George. Hospitais estão de prevenção, especialmente em relação a doentes crónicos, por exemplo com problemas cardíacos, respiratórios, renais ou diabéticos.

Do lado da meteorologia, “o IPMA está a trabalhar em modo contínuo”, disse Miguel Miranda. O instituto vai divulgar ao longo do dia actualizações das suas previsões, que são feitas de seis em seis horas.

O director-geral de saúde, Francisco George, afirmou que está a ser feito tudo agora “antes de termos problemas”.

As temperaturas altas vão manter-se pelo menos até segunda-feira, com vento de leste. Estas condições são propícias aos incêndios florestais, embora a previsão de vento fraco não seja tão desfavorável.