CDS vai adiar congresso

O CDS já não se vai reunir na Póvoa de Varzim neste fim-de-semana. Partido vota nesta sexta-feira à noite adiamento da reunião por duas semanas.

Portas apresentou na terça-feira a demissão do Governo, mas Passos não a aceitou
Foto
Portas apresentou na terça-feira a demissão do Governo, mas Passos não a aceitou Miguel Manso

O facto de Paulo Portas estar ainda a negociar com Passos Coelho é a razão apontada pelo partido para desmarcar o congresso, previsto para o fim-de-semana, na Póvoa de Varzim.

Já foram enviadas convocatórias aos membros do conselho nacional, que se reúne nesta sexta-feira à noite (20h30). É a este órgão que estatutariamente compete desconvocar o congresso.

"Estando em curso o processo para encontrar uma solução de estabilidade no Governo e dependendo essa solução da avaliação do Presidente da República, e estando marcadas reuniões do Presidente da República com os partidos para a próxima semana, entende-se que se deve adiar o congresso no sentido de que quando este se realize os congressistas tenham todos os elementos para tomar decisões no congresso", disse uma fonte do CDS à Lusa.

A proposta que está em cima da mesa é o adiamento do congresso para os dias 20 e 21 de Julho.

Esta situação significa também que o eventual acordo PSD-CDS para continuar a coligação governamental ainda terá muitas pontas soltas.

O Presidente da República exigiu a permanência do líder do CDS no Governo, apurou o PÚBLICO. O primeiro-ministro afirmou nesta quinta-feira que “foi encontrada uma fórmula de manter a estabilidade do Governo” e comprometeu-se a "aprofundar" junto de Paulo Portas "uma forma de garantir as condições necessárias" à estabilidade governativa.

Nesta quinta-feira de manhã, a Presidência da República informou Paulo Portas e Pedro Passos Coelho que Cavaco Silva só daria posse a um novo governo de coligação PSD-CDS que incluísse os líderes dos partidos.

Cavaco Silva considera que não é viável um governo de coligação em cujo Conselho de Ministros não se sentem os responsáveis máximos dos dois partidos.

À saída do Palácio de Belém, onde esteve reunido com o Presidente da República, Pedro Passos Coelho afirmou que se comprometeu com o Presidente a encontrar uma solução para um governo estável, ou seja, que vá ao encontro da exigência de Cavaco Silva.

Nesse sentido, acrescentou que irá "aprofundar" junto de Paulo Portas e do CDS "uma forma de garantir as condições necessárias" com o objectivo de "procurar um reforço" da solução.

O primeiro-ministro acrescentou também que a decisão de demissão de Paulo Portas "foi pessoal" e que "não compromete a permanência do CDS no Governo".

Sem responder a perguntas dos jornalistas, Passos Coelho afirmou que essa solução será uma forma de garantir as condições necessárias para que o Governo se mantenha em condições de cumprir o programa de assistência económica e financeira, o regresso de Portugal aos mercados, "ainda que de forma apoiada", e que "os sacrifícios dos portugueses sejam recompensados pelos resultados".

"Há também uma avaliação a fazer por parte do Presidente da República, mas essa deverá ser divulgada pelo senhor Presidente", acrescentou Passos Coelho. Essa referência aponta para uma provável remodelação do Governo, que é sempre anunciada pelo Palácio de Belém.

Fonte do gabinete do primeiro-ministro revelou à Lusa que as negociações entre Passos e Portas vão continuar.

Partidos na segunda-feira em Belém

O Presidente da República, entretanto, remeteu para a próxima segunda-feira o início das audiências com os partidos políticos que anunciou na quarta-feira de manhã.

Na tarde de segunda-feira serão recebidos em Belém, a partir das 15h30, o Partido Ecologista “Os Verdes”, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português, à razão de um por hora.

Ainda não foi divulgado quando poderão ocorrer os encontros com os restantes três partidos – PSD, PS e CDS –, os chamados "partidos do arco de governabilidade".

O comunicado da Presidência que anunciava os encontros era curto: "Em face da situação criada pelo pedido de demissão do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, apresentado ontem [terça-feira] ao primeiro-ministro, o Presidente da República, que receberá hoje, em audiência, o secretário-geral do Partido Socialista, reunir-se-á amanhã com o primeiro-ministro e ouvirá seguidamente os partidos com representação parlamentar."

No entanto, as audiências não se seguiram imediatamente, apesar de ter sido informalmente referido que deveriam começar já nesta sexta-feira.