Portugal recusa aterragem a avião de Morales por suspeitas sobre Snowden

Bolívia desmente que Snowden estivesse a bordo do avião de Morales.

Governo de Morales nega que Edward Snowden estivesse a bordo
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Governo de Morales nega que Edward Snowden estivesse a bordo Jorge Bernal/AFP

Portugal e França terão recusado nesta terça-feira a aterragem para reabastecimento do avião do Presidente da Bolívia, Evo Morales, por "suspeitas infundadas" de que Edward Snowden, um informático que fugiu dos Estados Unidos após divulgação de documentos secretos, estava a bordo, afirmou o chefe da diplomacia boliviano.

Numa conferência de imprensa, David Choquehuanca, citado pela agência noticiosa Efe, negou que Snowden estivesse a bordo e referiu que o avião de Morales, que regressava de Moscovo, pôde aterrar em Viena.

O ministro afirmou que se cometeu "uma injustiça com suspeitas infundadas".

Até à 1h32 o Governo português ainda não tinha comentado o caso.

Edward Snowden, o antigo funcionário de uma agência de espionagem americana, pediu asilo político a 20 países e retirou o pedido que fizera à Rússia.

Já recebeu uma negativa, da Índia, e explicações: a lei de muitos dos países que escolheu exigem que o pedido de asilo seja feito dentro do território; ora Snowden está numa espécie de terra de ninguém, dentro de um aeroporto de Moscovo.

Áustria, Bolívia, Brasil, China, Cuba, Finlândia, França, Alemanha, Índia, Itália, Irlanda, Holanda, Nicarágua, Noruega, Polónia, Espanha, Suíça, Venezuela, Equador e Islândia foram os países seleccionados pelo antigo funcionário da Agência Nacional de Segurança, segundo a lista divulgada pela Wikileaks. Os governos da Índia, Brasil, Noruega e Polónia já respondeu a Snowden e recusaram o pedido.

O Governo espanhol, e de acordo com o jornal  El País, anunciou que não dará seguimento ao pedido e argumentou que este tem que ser entregue numa fronteira espanhola para ser considerado. O Governo italiano fez também saber estar vinculado a essa mesma regra.

Snowden, acusado de traição pelos EUA por ter divulgado documentos que mostravam que os norte-americanos estavam a espiar cidadãos e governos em grande escala, está a tentar evitar a extradição para o seu país onde será julgado. Decidiu retirar o pedido à Rússia devido à contrapartida que lhe era exigida.