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Paul Samuels tem 24 anos e vive em Edenvale, na África do Sul
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Paul Samuels

Paul Samuels fotografa tatuagens de subúrbio

Em Edenvale, nos arredores de Joanesburgo, Paul Samuels fotografa jovens adultos que em comum têm o código-postal, 16 20, tatuado no corpo. As imagens de "XVI X" estão em exposição na Fundação Calouste Gulbenkian

Nasceu e vive em Edenvale, um subúrbio a Este de Joanesburgo onde o código-postal, 16 10, é um símbolo tatuado como forma de pertença. Paul Samuels, 24 anos, tem “XVI X” gravado na perna e fotografa amigos e vizinhos que tenham a mesma tatuagem.

"Este número está em todo o lado, 'grafittado' pelas ruas, no skatepark, nos bares, tatuado na perna do meu colega e até em t-shirts, lado a lado com a palavra 'Irmandade'", explica o jovem de 24 anos ao P3. “Na verdade não gusto muito desta palavra. Acho que ‘irmandade’ soa muito a gang, apesar de ser, provavelmente, a melhor forma de o descrever.”

As fotografias fazem parte de um projecto chamado “XVI X” (vê a Galeria) e estão expostas na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, inseridas na exposição “Present Tense”, do programa Próximo Futuro, até 1 de Setembro.

Paul acredita que “o retrato fotográfico é o que melhor expressa os interesses sociais e individuais — como as pessoas vivem em relação às formações mais amplas da sociedade”. Daí que, no seu trabalho, procure que as imagens “explorem identidade e pertença dentro de algumas sub-culturas da sociedade”.

A forma como os grupos de desenvolvem e se constituem e, também, como partilham uma identidade comum que se reflecte no conjunto de valores é algo que interessa a Paul. “Olho para o modo como as pessoas se apresentam através da roupa, dos gestos e da atitude em espaços que ocupam e como as posso representar nas minhas fotografias.”

O pai de Paul era fotógrafo amador e, para financiar os estudos, fotografava eventos universitários para o jornal do campus. Já Paul, depois da escola secundária, estudou Belas Artes na Universidade de Wits, especializando-se em fotografia. “Enquanto estudava (…) parecia que a fotografia não era suficiente como meio, por si mesma, e diziam-me constantemente que as imagens precisavam de algum tipo de ‘intervenção’ para serem obras de arte”, confessa o jovem. 

Apesar de ter pensado em dedicar-se à fotografia comercial, Paul mudou de vontade no último ano da faculdade. Conseguiu uma bolsa, a Tierney Fellowship 2012, e foi aí que iniciou o projecto “XVI X”.