Verão chegou com a primeira onda de calor em Junho em quatro anos

Em vários pontos do país as temperaturas estiveram sete a nove dias acima da média para este período.

Foto
Esperam-se temperaturas máximas entre os 34 e os 40 graus até terça-feira Arquivo

Para quem se queixava do frio, cá está: Portugal enfrentou na semana passada a sua primeira onda de calor em Junho desde 2009.

Em vários pontos do país, a temperatura tem estado mais de cinco graus acima da média há mais de seis dias consecutivos. É isto o que qualifica formalmente um período como onda de calor meteorológica.

Segundo dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), há nove estações meteorológicas com temperaturas muito acima da média há sete dias – de segunda-feira, dia 24 de Junho, a domingo, dia 30. São as estações de Anadia, Alcobaça, Braga, Coimbra, Coruche, Dois Portos (Torres Vedras), Santarém, Monção, Monte Real e Porto.

Noutras quatro – Alvega (Abrantes), Avis, Coruche e Portalegre –, a onda de calor é mais longa, com nove dias, tendo começado no dia 22 de Junho.

Nas regiões de Lisboa, Setúbal, Alentejo e Algarve, não chegou a haver propriamente uma onda de calor, apesar do termómetro ter subido acima dos 30 graus Celsius durante a semana. “Foi sobretudo no centro do país”, afirma a climatologista Fátima Espírito Santo, do IPMA.

Alcácer do Sal ficou com o recorde da maior temperatura máxima neste mês de Junho: 41,5 graus, no passado dia 24, segunda-feira. Em Monção, os termómetros chegaram aos 41,0 graus, em Évora e Alvega aos 39,9 graus e em Viana do Alentejo, aos 39,5.

Ondas de calor em Junho têm sido comuns nos últimos anos em Portugal. Ocorreram em oito dos 13 anos entre 2001 e 2013. Em 2005, grande parte do mês esteve sob calor excessivo em quase todo o país. Nesse ano, os incêndios destruíram 325 mil hectares de áreas florestais em Portugal – o segundo pior ano desde o início dos anos 1980, quando há registos regulares.

Em 1981, o mês de Junho foi alvo de uma onda de calor mortífera. Entre os dias 10 e 20, quando os termómetros se mantiveram muito acima da média, houve 1900 óbitos a mais em relação ao que seria de se esperar nessa altura do ano.

Quanto à actual onda de calor, ainda não há dados conclusivos sobre os efeitos que poderá estar a ter na mortalidade e na procura dos serviços de saúde. "Neste momento, ainda não é possível tirar nenhuma conclusão", afirma a sub-directora-geral de Saúde, Graça Freitas, acrescentando porém que os dados disponíveis não sugerem nenhuma anomalia significativa.

Nesta segunda-feira, arrancou a chamada fase Charlie dos fogos florestais, aquela em que há maior dispositivo de combate em campo. Até ao final de Setembro, estarão operacionais 1976 viaturas, 9337 elementos de diferentes equipas (bombeiros, sapadores, etc.), 237 postos de vigia e 45 meios aéreos.

Segundo a previsão do IPMA, a temperatura vai baixar substancialmente esta terça-feira, sobretudo no litoral, com máximas de 22 graus no Porto, 25 em Lisboa e 26 em Faro. No interior, os termómetros subirão acima dos 30 graus.

O calor voltará a apertar novamente a partir da quarta-feira, com a perspectiva de um resto de semana quente.