Há mais portugueses que não abdicam de Verão com férias, apesar da crise

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Algarve é o destino eleito para 44% dos inquiridos, segue-se o Porto e a região norte MIGUEL MANSO

Percentagem dos que tencionam descansar entre Junho e Setembro aumentou de 47% em 2012 para 50,2% em 2013.

Já se sabe que o contexto é difícil, que o orçamento familiar derrapa, que a confiança dos consumidores encolhe. Mas na hora de planear as férias, os portugueses não abdicam de uns dias de descanso nos meses de maior calor. Um estudo do IPDT, Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo, a que o PÚBLICO teve acesso, mostra mesmo que a percentagem de pessoas que tencionam fazer férias entre Junho e Setembro aumentou de 47% em 2012 para 50,2% em 2013.

Quem decide manter os planos, terá tudo a que tem direito: férias fora da área de residência (67%). Este valor é superior aos 53% registados em 2012 pelo IPDT, que faz este estudo desde 2010. "Pelos dados globais, não há um decréscimo da intenção de fazer férias e há um aumento das férias fora de casa. Há, ainda, uma opção por destinos nacionais e de proximidade, um gasto menor, e a opção por estadas mais curtas", analisa António Jorge Costa presidente do Instituto de Turismo, associação privada que apoia o ensino e a investigação sobre o sector.

A percentagem de inquiridos que não vão gozar férias entre Junho e Setembro é quase igual à dos que não abdicam dos meses de calor para descansar de um ano de trabalho: 49,8%. Questionados sobre os motivos que os levam a não ter férias durante a época alta, 31% invocam razões financeiras, mas 24% indicam motivos de trabalho. Outros 24% esclarecem que "não costuma gozar férias" e 23% não têm por hábito escolher estes meses para descansar. O desemprego é a explicação avançada por 10% dos 500 inquiridos pelo IPDT.

Em tempo de contracção financeira, 21% dos portugueses que vão de férias este ano planeiam gastar menos, e 69% esperam gastar o mesmo. Entre os que querem despender menos dinheiro, 87% indicam motivos financeiros, 12% o aumento da carga fiscal.

O instituto quis saber também quais os destinos preferidos dos inquiridos que elegem o Verão como época por excelência de férias. Dos 67% que não vão estar em casa, 79% escolhem destinos nacionais, com destaque para o Algarve (44%), o Porto e região norte (12%). Cerca de 14% vão viajar pela Europa (Espanha é o país de referência para 7% da amostra), mas 3% ainda não tem destino certo.

Como seria de esperar, é em Agosto que a grande maioria prevê passar férias. Alugar casa é a primeira opção (33%), segue-se a casa emprestada por amigos e familiares (17%), percentagem próxima dos que indicam ter casa própria (16%). Apenas 15% escolhem hotéis de quatro e cinco estrelas. Quanto à duração, 82% vão tirar os mesmos dias e apenas 14% dizem gozar férias menos longas. De acordo com o estudo, há indícios de uma redução da duração média da estada, "o que se confirma pela análise deste indicador que em 2011 foi de 14,1 noites e em 2012 de 12,5 noites". Os turistas nacionais deslocam-se acompanhados pela família e amigos.

António Costa diz ainda que portugueses estão mais atentos à Internet e às promoções, optam por férias curtas e ofertas de última hora. Prova disso é a antecedência com que, este ano, reservaram férias. Se em 2013 60% escolheram e marcaram estada em Maio, em 2012 apenas 25% o fizeram.