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Manhã marcada pela paralisação nos transportes

Em dia de greve geral convocada por CGTP e UGT, os transportes públicos são um dos sectores mais afectados.

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Avisos nas paragens informam que não há autocarros no Porto Paulo Pimenta
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Rui Gaudêncio
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Na manhã desta quinta-feira, dia de greve geral, poucos eram os transportes públicos a circular em Lisboa e no Porto. Os acessos às duas cidades, para quem se aventurou a chegar ao trabalho de carro, estão congestionados

No Porto nenhum autocarro da STCP está a circular nas ruas da cidade, pelo que a adesão à greve é total, segundo o Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes.

Não há serviços mínimos definidos para a CP, Metro de Lisboa, Transtejo e Soflusa. Por isso, as empresas avisaram os clientes de que será difícil chegar ao trabalho através destas redes de transportes.

Esta é a quarta vez, desde o 25 de Abril, que a CGTP e a UGT se juntam em greve geral. É ainda a segunda que o actual primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, enfrenta. Aliás, é o primeiro governante da democracia a enfrentar duas greves gerais convocadas pelas duas centrais sindicais.

As 355 viaturas da STCP que deveriam estar ao serviço esta manhã encontram-se estacionadas desde a meia-noite nas duas estações de recolha de Francos e da Via Norte da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP).

Por volta das 7h30, um motorista contratado a prazo preparava-se para sair da estação de recolha de Francos, mas os trabalhadores que se encontravam ali concentrados desde a meia-noite barraram a saída junto ao portão principal da empresa e o autocarro acabou por não sair, de acordo com informação avançada ao PÚBLICO pelo coordenador do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes.

Fernando Oliveira adiantou que a adesão do cerca de 800 motoristas da STCP “é total”, e nos outros sectores, oficinais e administrativos, a paralisação “superou as expectativas” dos dirigentes sindicais, porque na empresa há muitos motoristas com contratos precários.

“Na STCP, num total de 1290 trabalhadores, cerca de 800 são motoristas, sendo que 140 trabalham com contratos a prazo e todos aderiram à greve, o que é uma enorme vitória”, afirmou ainda Fernando Oliveira.

Os serviços mínimos previam a circulação de 20 viaturas, mas o certo é que não há nenhuma em serviço.

Um enorme contingente policial com vários carros de patrulha e polícia de choque encontra-se concentrado nas duas estações de recolha da STCP, mas a greve tem decorrido sem quaisquer sobressaltos, nem mesmo quando os trabalhadores barraram a saída de um autocarro, de acordo com informação avançada pelo coordenador do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes.

As estações ferroviárias de Campanhã e S. Bento, no Porto, estão completamente paradas, não se encontrando nenhum comboio em circulação desde o início da greve geral desta quinta-feira.

Fonte do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal revelou que desde a meia-noite nenhum comboio circulou, não havendo qualquer movimento nas duas principais estações da cidade.

Em relação ao metro do Porto, a mesma fonte revelou que das seis linhas que funcionam diariamente, apenas a Linha Vermelha, que liga o Estádio do Dragão à Póvoa de Varzim, está ao serviço.

Lisboa a meio gás
Em Lisboa, pelas 7h30, um barco ao serviço da Transtejo, que assegura as ligações fluviais com a Margem Sul, fez a travessia entre Cacilhas e o Cais do Sodré, disse fonte do grupo de transporte fluvial à Lusa. Ainda para esta manhã estava prevista uma ligação entre o Barreiro e o Terreiro do Paço, às 7h40, acrescentou a mesma fonte, indicando que se prevê que ambas as rotas estejam operacionais até às 13h.<_o3a_p>

O grupo Transtejo, que inclui ainda a Soflusa, alertou que durante o dia de greve as ligações entre Lisboa, Cacilhas, Trafaria, Barreiro, Seixal e Montijo vão sofrer perturbações. Tal como na Transtejo, não há serviços mínimos definidos para a CP e Metro de Lisboa. No Porto, a STCP garante serviços mínimos e no metro a circulação será “bastante” afectada, segundo previsões da empresa.<_o3a_p>

A Carris está obrigada a serviços mínimos e era isso que acontecia esta manhã. No centro de Lisboa, poucos eram os autocarros da empresa a circular e os que estavam em serviço chegavam às paragens lotados. A transportadora tem a funcionar, a 50% do regime normal, os autocarros 703, 708, 735, 736, 738, 742, 751, 755, 758, 760, 767 e 781. Também está assegurado o transporte exclusivo de deficientes.<_o3a_p>

A PSP terá quebrado o piquete de greve que estava na estação da Carris na Musgueira, de onde saem alguns dos autocarros que estão em serviço mínimo, apurou o PÚBLICO. <_o3a_p>

Na estação de comboios do Cais do Sodré, em Lisboa, os piquetes de greve da CGTP indicaram à SIC Notícias que não houve ligações ferroviárias de e para Cascais. Os painéis de informação aos passageiros não foram sequer ligados. No Porto, o cenário é semelhante.

No caso do Metro de Lisboa, sem serviços mínimos, foi anunciada a suspensão das ligações em toda a rede até às 01h de sexta-feira. As estações estão encerradas. A Metro Transportes do Sul prevê, por sua vez, assegurar, pelo menos, 50% das circulações no horário normal.

No metro do Porto, que devia funcionar entre as 7h e as 21h (em vez das 6h à 1h), apenas estaria assegurada a circulação na Linha Amarela entre o Hospital de S. João e Santo Ovídio, em Gaia, entre a estação da Senhora da Hora e a estação do Estádio do Dragão, no tronco comum às linhas Azul (A), Vermelha (B), Verde (C), Violeta (E) e Laranja (F).

Filas de trânsito nos acessos a Lisboa e Porto
Os acessos a Lisboa estavam pelas 09h muito congestionados. Pela Ponte Vasco da Gama, as filas começavam na zona do nó da Moita em direcção ao tabuleiro da ponte. Ainda na Margem Sul, a Ponte 25 de Abril registava também paragens demoradas na circulação. No IC20, sentido Caparica-Almada, a fila de trânsito era visível desde o hospital ao nó da A2.

Na Segunda Circular, sentido norte-sul, o trânsito é compacto, com fila a começar na zona de Sacavém e a estender-se até ao Eixo Norte-Sul.

No Porto, sinal vermelho na Ponte do Infante, no sentido Gaia-Porto, e na A3, sentido Valença-Porto, onde se registam paragens desde Águas Santas até à saída para a Circunvalação. Na VCI, fila desde a Ponte do Freixo até ao nó da A3. No sentido contrário, as dificuldades são entre o nó de Coimbrões e Francos.

Autocarros parados em Braga
Não há um único autocarro a circular na cidade de Braga nesta quinta-feira. A greve geral está a ter uma adesão de 100% nos motoristas dos Transportes Urbanos de Braga (TUB), pelo que nenhuma das carreiras habituais está a funcionar. É sobretudo no sector dos transportes que estão a ser sentidas as consequências do protesto na cidade, mas há outros serviços públicos parados ou a funcionar em ritmo lento face ao número de grevistas.

Nos restantes sectores dos TUB, os números finais de grevistas ainda não estão apurados, mas fonte da empresa municipal avança que também existe uma “grande adesão” dos trabalhadores, ainda que “não tenha atingido os 100%”.

Tal como tem acontecido um pouco por todo o país, o sector ferroviário está igualmente a ser afectado pela greve e, nas primeiras horas da manhã, não saiu nenhum comboio de Braga em direcção ao Porto ou a Lisboa.

Ligações aéreas atrasadas ou canceladas
Nas ligações aéreas, e segundo dados da ANA - Aeroportos de Portugal actualizados, às 12h30 tinham sido cancelados 37 voos devido à paralisação: 32 no aeroporto de Lisboa, dois no Porto e três em Faro. Nos aeroportos dos Açores não foram registados cancelamentos nos voos previstos. A ANA confirma ainda que estão ser verificados atrasos em algumas ligações.

António Monteiro, porta-voz da TAP, confirmou ao PÚBLICO que esta manhã se "registavam atrasos em alguns voos" da transportadora, mas recusou-se a avançar com dados sobre a adesão à greve.