José Manuel Ribeiro/Reuters
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José Manuel Ribeiro/Reuters

Crise “tem sido ainda pior" para os jovens, diz OCDE

Quanto menor for a formação, maior é o risco de desemprego, conclui OCDE. Em 2011, 15,3% dos jovens entre os 15 e os 19 anos não estavam empregados, nem em formação

Quanto menor for a escolarização, maior é o risco de desemprego, alerta a OCDE num relatório divulgado esta terça-feira e em que Portugal surge como um dos países com menos população diplomada. “O desafio ainda é aumentar as baixas taxas de escolaridade”, diz a organização no relatório “Education at a Glance 2013” (PDF).

Portugal está entre os cinco países da OCDE com maior proporção de adultos (25 - 64 anos) sem o ensino secundário completo: 65 por cento, em contraste com a média de 25 por cento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). O país está também entre os três estados da OCDE com menos população (na mesma faixa etária) com ensino superior: 17 por cento, contra a média de 32 por cento da OCDE. No documento nota-se que no espaço de uma década, entre 2000 e 2011, a percentagem de pessoas entre os 25 e os 34 anos com pelo menos uma certificação do ensino secundário subiu de 32 por cento para 56 por cento e taxa de formação superior, entre os 25 e os 64 anos, quase duplicou no mesmo período.

Os autores do relatório especificam que foram tomadas medidas específicas, desde 2005, para aumentar o reconhecimento de competências da população. “Mais de 230.000 adultos obtiveram qualificações ao nível do ensino secundário através destas iniciativas”. Em 2011, quase três em cada 10 diplomados pelo ensino secundário em Portugal (30 por cento) tinha mais de 25 anos. “De facto, Portugal tem a mais alta taxa de adultos diplomados a este nível entre os países da OCDE (21 por cento)”, lê-se no relatório.

Diplomados podem ganhar mais 70%

A OCDE frisa que ter o ensino superior diminui a probabilidade de estar desempregado e se traduz num aumento de ganhos face aos restantes níveis de ensino. Em 2010, um trabalhador com formação superior em Portugal podia esperar ganhar 70 por cento mais do que um trabalhador com o ensino secundário (média da OCDE: mais 64 por cento, em 2011).

Em 2011, Portugal reportou 15,3 por cento de jovens entre os 15 e os 29 anos que não estavam empregados nem em programas de educação e formação, comparativamente à média de 14,8 por cento da União Europeia (UE21). Entre 2008 e 2011, a população em educação e formação naquela faixa etária que não completou o ensino secundário aumentou 3,9 pontos percentuais, de 14,2 por cento para 18,1 por cento, enquanto a média da UE 21 aumentou 1,8 pontos, de 13,5 por cento para 15,3 por cento.

Entre 2008 e 2011, o aumento do desemprego afectou de forma desigual os cidadãos, dependendo do seu nível de educação. A taxa de desemprego entre os 25 e os 64 anos sem o ensino secundário aumentou 5,7 pontos percentuais, atingindo os 13,3 por cento. A média da OCDE aumentou 3,8 pontos percentuais, para 12,6 por cento. Por outro lado, a taxa de desemprego entre os 25 e os 64 anos com formação superior aumentou 2,2 pontos percentuais, atingindo os oito por cento, quando na OCDE subiu em média 1,5 pontos percentuais, para 4,8 por cento.

“A crise económica tem sido ainda pior para os adultos jovens”, diz-se no documento, em que se frisa que aqueles que têm educação superior ficaram menos vulneráveis perante o desemprego. O documento indica ainda que as mulheres estão mais vocacionadas para terminar o ensino superior do que os homens. Cerca de 73 por cento das mulheres portuguesas que entra num programa de ensino superior pela primeira vez completa o curso, enquanto nos homens a percentagem é de 59 por cento.