Socialistas defendem autárquicas como o "início de novo ciclo" no país

Apesar da posição mais cautelosa do secretário-geral, as primeiras intervenções na Convenção Autárquica definiram as eleições como o tempo da viragem

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À entrada da Convenção, Seguro optou por uma postura mais cautelosa em relação aos resultados eleitorais Enric Vives-Rubio

Foi o actual presidente da câmara de Lisboa e recandidato ao posto, António Costa, que iniciou as hostilidades. “Estas eleições têm também de ser um momento de mudança”, afirmou o socialista, que há meses esteve na iminência de desafiar a liderança partidária de António José Seguro.

O dirigente nacional e candidato à Assembleia Municipal do Porto, Francisco Assis, fez o mesmo de forma subliminar. “Estas eleições não são a primeira volta de coisa nenhuma, mas estas autárquicas podem ser uma coisa muito mais importante: o início de um novo tempo na vida política portuguesa, o início de um novo ciclo na vida nacional, em que a esperança e a confiança se voltem a impor com realismo, com consciência das dificuldades e com vontade de construirmos um futuro diferente”, atirou o socialista aos participantes.

Também o candidato e actual presidente de Resende, António Borges, assumiu as eleições como “uma grande oportunidade de começar a mudar Portugal”. O candidato a Ponta Delgada, Açores, José Contente, defendeu que as autárquicas “mais do que um cartão vermelho aos vendilhões da Pátria, teria de ser um cartão de esperança aos portugueses”.

Por seu turno, à entrada da Convenção, Seguro optou por uma postura mais cautelosa em relação aos resultados eleitorais. Questionado sobre o que representaria uma vitória, o secretário-geral adiantou que “o PS quer ser sempre o partido mais votado”. “Ganhar as eleições significa ter mais um voto que o segundo partido”, rematou.

Costa acrescentou depois que as eleições teriam de ser  “o momento de dizer que são necessárias outras políticas”, o que não poderia ser feito por outros que não o PS. Muito menos os candidatos da direita, que “escondem o símbolo dos seus partidos”: “Os candidatos do PSD são os candidatos deste governo e querem levar a cada freguesia as políticas aplicadas pelo Governo. Para mal já basta assim, pior é que não.”

Uma linha de ataque aos candidatos da direita que pareceu concertada com o presidente da Federação Distrital de Lisboa, Marcos Perestrello, deu o exemplo de Berta Cabral, a candidata do PSD ao governo dos Açores e que na campanha “atacou e criticou” o Governo de Passos Coelho e, “à primeira oportunidade”, aceitou fazer parte do Executivo.