Céu oferece uma super-lua cheia em noite de festa de São João

Foto
Na noite de amanhã para segunda, a Lua vai parecer até 14% maior e 30% mais brilhante do que nas noites em que está mais longe da Terra DR

Está longe de ser um fenómeno raro, mas os especialistas avisam que as condições favoráveis deste ano só deverão repetir-se daqui a 18 anos.

O fenómeno não é raro, mas não é por isso que deixa de ser especial. A cada 413 dias (praticamente um ano e dois meses), a lua cheia coincide com o ponto de maior aproximação da Terra (o perigeu), e o resultado é o que se chama uma super-lua cheia. Desta vez, este momento acontece a 23 de Junho, na noite de amanhã para segunda-feira. Para quem festeja o São João no Porto, mas também noutras cidades do país, há mais um atractivo na noite. Em Lisboa, não há festa na rua, mas o Observatório Astronómico (OAL) organiza uma sessão de observação (contemplação) de entrada livre.

"O fenómeno da super-lua cheia é provocado pela órbita elíptica da Lua, que mensalmente aproxima e afasta da Terra o nosso satélite natural", explica ao PÚBLICO Ricardo Reis, do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP), adiantando que nesta data a Lua "parece até 14% maior e cerca de 30% mais brilhante do que nas alturas em que a lua cheia ocorre no apogeu [quando está no ponto mais distante da Terra]".

"A órbita da Lua é aproximadamente uma elipse de excentricidade média de 5,5%. Isso faz com que a Lua ora esteja mais perto, ora mais longe da Terra em cada mês lunar (27,3 dias)", precisa ainda o comunicado do OAL, que diz também que "sendo a distância média Terra-Lua <dTL>= 384.400km, o perigeu e apogeu médios ficam a 363.100 e 405.700 quilómetros, respectivamente.

Para melhor observar o fenómeno, basta abrir os olhos, não há nenhuma dica especial. "Aliás, nem é recomendável observar a lua cheia com telescópio, porque fica demasiado brilhante e encandeia quem observa. Como esta até será mais brilhante do que o normal, é recomendável não observar com telescópio. Quanto muito, podem observar com binóculos", avisa Ricardo Reis.

E há um melhor momento para olhar para a Lua? "O mais interessante vai ser observar [a olho nu], logo que a Lua aparece acima do horizonte [ou seja, logo ao pôr do Sol]", diz, fazendo referência a um conhecido efeito psicológico que faz com que a Lua nos pareça (ainda) maior quando está mais próxima do horizonte. "Mas esse aumento de tamanho relacionado com o horizonte não é real. Se tirarmos uma foto à Lua durante a mesma noite, quer ela esteja perto do horizonte quer esteja mais alta no céu, vemos que tem sempre exactamente o mesmo tamanho. A "mudança" de tamanho é apenas uma questão de interpretação do nosso cérebro." Ou seja, o céu oferece uma super-lua cheia a noite inteira, mas o nosso cérebro garante-nos a ilusão de um momento ainda mais grandioso na mesma noite se a observarmos logo que ela aparece no horizonte. "É uma ilusão", confirma também o comunicado do OAL, que nota que estamos perante o efeito "da refracção da atmosfera terrestre associada aos diferentes ângulos de incidência da luz proveniente dos bordos lunares, que cria o encolhimento na direcção vertical da imagem".

Já se disse que este fenómeno não é raro. No entanto, o comunicado do OAL nota que "uma super-lua com as mesmas características desta de 2013, tão favoráveis à observação, só voltará a acontecer daqui a 18 anos".