"Cansei", dizem ministros de Dilma

Políticos e empresários pressionam Presidente a mudar de rumo

A pressão vem de vários sectores: empresarial, político e social. Todos se queixam da falta de diálogo da Presidente Dilma Rousseff e gostavam de ver uma remodelação governamental.

Há ministros a reclamarem pelos cantos do estilo centralizador da Presidente, disse ao PÚBLICO Carlos Melo, professor no Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), em Brasília. Alguns ministros já baptizaram mesmo o seu movimento de descontentamento com apenas uma palavra: "Cansei", conta a colunista da Folha de São Paulo Vera Magalhães.

A falta de diálogo não só com os ministros, mas também com o Congresso, e sobretudo com os movimentos sociais é a principal queixa dos aliados de Dilma Rousseff. Os membros do Partido dos Trabalhadores (PT) acham que a Presidente está a descurar os movimentos sociais, uma base de apoio importante do partido, e querem que o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, tenha mais autonomia para se encarregar deste diálogo.

Os empresários, pelo seu lado, querem que Dilma perca o que dizem ser a sua "aversão ao mercado" e gostariam de um "ministro com livre-trânsito no empresariado".

Dilma tem, para já, recusado qualquer ideia de remodelação. Espera ter de mudar ministros apenas no início do próximo ano, já que se prevê que 14 dos seus 39 ministros possam sair para concorrer a eleições.

Enquanto isso, uma sondagem feita ainda antes das manifestações mostrava a popularidade do Governo em queda, aparentemente pelo aumento de inflação: oito pontos percentuais nos últimos três meses, segundo a sondagem do instituto Ibope. Segundo o inquérito, 55% acham que o Governo é "óptimo" ou "bom", contra 63% com a mesma opinião em Março. Maria João Guimarães

Sugerir correcção