Filho do Presidente de Angola preside a fundo soberano

Fundo Soberano de Angola gere cinco mil milhões de dólares. Primeiro projecto está ligado a uma rede de hotéis de negócios em África.

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José Eduardo dos Santos aprovou a lei do novo fundo em 2011 Stephane de Sakutin/AFP

José Filomeno dos Santos, filho de José Eduardo dos Santos, foi nomeado presidente do conselho de administração do Fundo Soberano de Angola (FSDEA). A decisão foi conhecida nesta sexta-feira, o mesmo dia em que o fundo, que gere cinco mil milhões de dólares (cerca de 3,8 mil milhões de euros) provenientes das receitas petrolíferas, anunciou a sua política de investimentos.

O filho do Presidente de Angola, que já era administrador do FSDEA e responsável pela estratégia deste fundo, passa assim a ocupar o cargo deixado vago por Armando Manuel, nomeado em Maio ministro das Finanças. 

Em comunicado, o gestor, licenciado em Gestão de Informação e Finanças pela Universidade de Westminster, afirma que haverá uma “prestação rigorosa de contas e transparência na gestão” do FSDEA. Neste âmbito, está prevista a divulgação de um relatório anual das contas, bem como o envolvimento de auditores independentes. De acordo com José Filomeno dos Santos, o novo fundo irá garantir “investimentos sustentáveis e prósperos, que apoiarão o crescimento económico do país a longo prazo”.

A estratégia de investimentos era uma das peças que faltavam no arranque efectivo do fundo, com raízes em 2008. Nesse ano, José Eduardo dos Santos anunciou a intenção de desenvolver uma instituição deste tipo, que gere dinheiro do Estado a pensar no longo prazo. As bases legais foram criadas em 2011, mas só em Outubro do ano passado é que o FSDEA foi lançado oficialmente pela República de Angola.

Segundo o comunicado hoje divulgado, este fundo, que reporta exclusivamente perante o Governo de Angola, irá efectuar os seus investimentos de acordo com três grandes eixos: preservação do capital, maximização dos retornos a longo prazo e desenvolvimento de infra-estruturas.

Até metade das verbas do fundo será aplicada em produtos financeiros “com rendimento fixo e instrumentos de caixa emitidos pelas agências soberanas”, instituições supranacionais, grandes empresas que tenham grau de investimento (avaliado pelas agências de rating) ou em instituições financeiras e “títulos de participação societária emitidos no G7”, o grupo dos países mais industrializados.

Numa lógica de diversificação, o resto das verbas, segundo o documento, será aplicado em investimentos alternativos, ligados aos mercados emergentes e em sectores como commodities (como é o caso do ouro), agricultura, minério, infra-estruturas e imobiliário.

Para já, vai criar um “fundo hoteleiro para África”, tendo lançado “um concurso a operadores que lideram o ramo hoteleiro internacional a fim de desenvolver e operar uma carteira de hotéis de negócios de três a cinco estrelas em toda a África subsariana”, e quer lançar uma escola de hotelaria.