Exame de Português do 9.º ano com perguntas mais difíceis que o do 12.º

Alerta é da Associação de Professores de Português, segundo a qual a comparação dos exames só pode gerar "perplexidade".

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A prova do 9.º ano foi feita hoje por 94 mil alunos Ana Banha

A Associação de Professores de Português (APP) teceu várias críticas à prova de exame desta disciplina que nesta quinta-feira foi realizada por 94 mil alunos do 9.º ano.

Num parecer à prova, a APP mostra perplexidade face às questões de gramática propostas aos alunos do 9.º ano por o seu grau de exigência ser “mais elevado” do que aquele que foi pedido no exame de Português do 12.º ano. 

A APP estranha também o texto seleccionado para a parte A do I grupo, que visa avaliar as capacidades de interpretação, por conter vários estrangeirismos. Este texto é uma adaptação de uma crónica publicada na revista Sábado quando da morte do astronauta Neil Armstrong.

Dos sete termos escolhidos para integrarem o glossário que tradicionalmente acompanha estes exames, dois são referentes a estes estrangeirismos (staff e brevet) e um tem a ver com uma sigla em inglês (NASA). Os outros termos integrados no glossário são “Casa Branca”, “memorando”, “Nixon” e “Houston”.

O primeiro grupo do exame é constituído por três partes que têm na base textos diferentes. O poema escolhido para a parte B (Mar, de Miguel Torga) tem, segundo a APP, “um carácter metafórico elevado” que exige do aluno “uma capacidade de ver para além do texto”. 

A parte C versa geralmente sobre os autores de leitura obrigatória no 9.º ano — Gil Vicente e Camões. Este ano, depois de uma pausa em 2012, voltaram a sair Os Lusíadas, mas a APP considera que as estrofes escolhidas não apresentam informação suficiente sobre o episódio da obra em que se inserem e cuja identificação é pedida aos alunos. 

Quanto ao grupo III, o da composição, a associação diz estranhar a “quase repetição com um tema de composição já utilizado no exame nacional do 9.º ano de 2005”. Os exames não podem repetir questões de ano para ano. Na prova desta quinta-feira pedia-se aos alunos que escrevessem um texto em que apresentassem razões tanto para defender a perspectiva dos que advogam que a exploração do espaço deve ser um objectivo prioritário, como dos quem defendem que, antes do mais, o homem deve dedicar-se ao estudo da Terra.

No exame de 2005 pedia-se aos alunos que escrevessem sobre qual das aventuras foi mais ousada: os Descobrimentos Marítimos ou a conquista espacial, devendo também apontar as diferenças e semelhanças entre elas.