Os alunos ficaram a perder

Se o Governo não tivesse insistido no braço-de-ferro, os direitos dos alunos teriam sido salvaguardados

Entendamo-nos. Uma greve de professores em dia de exames não é certamente uma boa ideia para os alunos e para as respectivas famílias. E os sindicatos corriam um risco político ao avançar com uma paralisação numa data tão sensível como a de ontem. Sendo que nada na lei os impedia de a convocarem para a data que entendessem ou de usarem o direito à greve da forma que considerassem mais eficaz. O Governo acreditou que a comissão arbitral ia consagrar os serviços mínimos e que conseguiria, por essa via, torpedear a greve. Mas a comissão não lhe deu essa satisfação. Em contrapartida, abriu a porta a que Nuno Crato transferisse o exame de Português do 12.º ano para dia 20. Mas o Governo insistiu no confronto e, com medo de dar parte de fraco, manteve a data de ontem, alegando não ter garantias de todos os sindicatos de que não haveria uma greve numa outra data que viessem a escolher. Foi um erro político grave. Se o Governo tivesse mudado a data dos exames e os sindicatos alterassem a data da greve na sequência dessa mudança, seriam os sindicatos a pagar o ónus político da paralisação. E a perder toda a credibilidade aos olhos da opinião pública.

Os amplamente publicitados esforços do Governo para encontrar uma solução para a greve de ontem ignoraram este caminho. Passos Coelho e Nuno Crato entenderam que os exames seriam um terreno em que poderiam fazer jogar a seu favor a sensibilidade da opinião pública para demonizar os sindicatos e a greve. Mas sabiam estar já a pagar o preço da aproximação entre a UGT e a CGTP. O resultado final foi desastroso. Um terço dos alunos não fez exame, a regra da equidade não foi respeitada e verificaram-se inúmeras irregularidades. Se tivesse mudado a data, o Governo não teria perdido a face. E teria respeitado os direitos dos alunos, em nome dos quais quis travar este braço-de-ferro.Como desligar uma crise em Atenas

OSupremo Tribunal Administrativo grego suspendeu ontem "temporariamente" a polémica decisão do Governo de Atenas de encerrar "provisoriamente" a televisão pública nacional, a ERT, e ordenou que esta recomece imediatamente a emitir. À partida, deveríamos estar perante uma decisão sensata do tribunal, em resposta à gravíssima e insensata medida do Governo de Antonis Samarras. Na prática, a decisão judicial permitiu evitar uma crise política e novas eleições, permitindo a cada um dos três partidos da coligação salvar a face, uma vez que apenas o partido do primeiro-ministro defendia o encerramento da estação. De alguma forma, o tribunal procurou desligar uma crise, ordenando o regresso das emissões da ERT e que o processo de reestruturação da estação prossiga. Mas, nem que seja por linhas tortas, a decisão de fechar a estação foi corrigida rapidamente. O que mostra bem até que ponto era absurda.