E viva o punk

Foto

Há coisas inimagináveis. É maravilhoso quando as nossas previsões são confundidas. Foi coisa que aconteceu, graças à vida, à Lusa e ao PÚBLICO de anteontem, mais uma longe-de-ser-última vez.

Acontece que a socióloga Paula Guerra estudou o movimento punk em Portugal desde 1977, que começou, diz ela com razão, com "o aparecimento dos Faíscas, em Lisboa, que deram origem à banda Corpo Diplomático e pouco depois aos Heróis do Mar". Estas são as três primeiras bandas do meu bom amigo Pedro Ayres Magalhães, que sempre esteve e estará à frente das coisas da música popular e impopular.

Conta Paula Guerra que "têm 400 canções, já estão analisadas 300". Quem está a cargo da "análise das músicas"? Respirem fundo ou, caso tenham o espírito aberto, dancem com a confusão: é Augusto Santos Silva, o ex-ministro da Defesa que parecia ter tendências totalitárias. Revejo, com prazer, a pessoa que dantes desprezava. Augusto Santos Silva (sociólogo também) passou do poder político à análise musical. Dá esperança a todos nós que, sendo meros analistas musicais, aspiramos a ter, um dia, poder político para impor as nossas opiniões.

Uma das conclusões do estudo é que o punk português era menos proletário e masculino do que o inglês. Fez-me lembrar as glórias femininas do verdadeiro punk britânico: os X-Ray Spex e a Siouxsie and the Banshees, ambas de 1976. Melhores do que todas as bandas eram as Slits e, com uma portuguesa a bordo, as Raincoats.

Viva o Punk!