À esquerda a equidade, à direita o silêncio

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A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins

Não está garantida a equidade entre os alunos do 12.º ano que realizaram ontem os exames nacionais de Português e de Latim e aqueles que, devido à greve dos professores, foram convocados para os fazerem no dia 2 de Julho. Foi esta a leitura política feita ontem pelo PCP e pelo BE, que imputaram responsabilidades ao Governo pela gestão intransigente da greve dos professores. O PS falou de uma "arrogância política" que saiu cara aos estudantes, enquanto dos partidos do Governo, depois de apelos repetidos nas vésperas ao "bom senso" nas negociações, não houve reacções.

"Por mais argumentos que avance, o ministro da Educação não pode garantir a equidade entre os 75 mil estudantes que deveriam ter feito os exames" e os 20 mil que ficaram fora das salas de prova, disse o dirigente do PCP Jorge Pires, na sede do partido.

Tudo isto poderia ainda ter sido evitado com o agendamento dos exames para outro dia, não fosse a "insensibilidade e total incapacidade" do Governo na negociação com os sindicatos de professores. Jorge Pires disse mesmo que "só foi possível ao Ministério da Educação pôr a funcionar, sem condições, muitas salas de exame através da adopção de um conjunto de ilegalidades, irregularidades e arbitrariedades".

A coordenadora do BE, Catarina Martins, referiu também que "não há nenhuma escolha que garanta realmente a equidade" entre os alunos do 12.º ano, e que se avista uma "decisão muito difícil". Na sede do partido, Catarina Martins criticou a "subversão" de todas as regras para a realização de exames em vigor há mais de 15 anos. Assim, concluiu que a greve dos professores constituiu "uma gigantesca derrota" deste Governo e revelou a "incapacidade política" do ministro da Educação e Ciência, que deve agora demitir-se. "O ministro Nuno Crato foi hoje [ontem] a exame e chumbou", disse a líder bloquista.

Também o PS criticou "uma péssima gestão política" por parte do Ministério da Educação, que transformou os alunos em "vítimas colaterais" da "arrogância política" do executivo. "Isto demonstra que se o Governo não tivesse agido com arrogância política, a recalendarização poderia ter sido feita antes e podiam ter-se evitado todos estes problemas para as famílias e para os professores. A arrogância política do Governo saiu cara aos alunos", acusou o líder parlamentar Carlos Zorrinho no Parlamento.

PCP e BE insistiram que não há saídas fáceis. Depois desta greve no primeiro dia de exames nacionais, o PCP propõe agora uma "negociação" entre Governo e sindicatos de professores que faça cair a possibilidade de despedimento de docentes. Também o Bloco apelou ao diálogo para se encontrar a "solução menos má".

Para PCP e BE, esta greve travou-se também contra a política de direita, a degradação da escola pública e o ataque aos direitos laborais dos docentes. "O Governo que se diz preocupado com as consequências da luta para os estudantes e as suas famílias é o mesmo que ao longo dos últimos dois anos não tem feito outra coisa que não seja avançar com medidas que prejudicam significativamente as condições de trabalho nas escolas e degradam a qualidade do ensino", afirmou o membro da comissão política do PCP.

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