Milhares de professores em manifestação e promessa de "grande greve" na segunda-feira

Mário Nogueira diz que a única forma de desmarcar greve é haver recuo do Governo.

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Miguel Manso
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Estão revoltados e tristes. Contestam medidas concretas que o Governo quer impor, como a mobilidade especial ou o aumento do horário de trabalho. E sentem que a sua profissão está a ser vítima de um ataque e de falta de respeito. Foi com este sentimento que milhares de professores se manifestaram neste sábado em Lisboa, na antecâmara de uma “grande greve” na segunda-feira, primeiro dia de exames do secundário.

“Os professores deram expressão ao descontentamento em relação a políticas que são inaceitáveis”, resumiu João Dias da Silva, dirigente da Federação Nacional de Educação (FNE), falando de uma “grande manifestação de professores”: “No mínimo 50 mil pessoas”, estimou este dirigente sindical.

Mário Nogueira, líder da Fenprof, defendeu mesmo que esta manifestação está “ao nível das maiores e a maiores tiveram 100 mil pessoas”. A polícia não quis dar estimativas.

Com um sentimento comum de indignação perante as propostas do Governo, os professores marcharam nas ruas de Lisboa e preparam a greve de segunda-feira. Mário Nogueira disse que espera uma “grande greve” no dia de exame de Português do 12.º ano e Dias da Silva prevê uma “fortíssima adesão”, com base nos contactos que tem feito com professores e estruturas sindicais. “Milhares de alunos” não poderão realizar as provas, estimou Dias da Silva.

Num discurso final, em que pediu mais uma vez a demissão do Governo, Mário Nogueira apelou aos professores para não se atemorizarem. “Segunda-feira todos na greve. Que os professores não aceitem substituir ninguém e que os directores não sejam paus mandados para fazer tudo. Fraquejar agora seria fatal”, disse o líder da Fenprof.

No meio da multidão – que parecia menor do que na última manifestação de professores –, Cristina Cruz, professora de Português e História, empunhava um cartaz a representar 35 alunos fechados numa jaula. Foi a sua forma de criticar o aumento do número de alunos por turma.

Na segunda-feira, Cristina vai à sua escola em Baião, mas fará greve ao serviço de exames. Diz que o debate sobre se os professores devem ou não fazer greve em dia de exames é “injustificado”, porque, diz, está a lutar por si e pelos alunos.

Leonel Santos, professor há 35 anos, também tem vontade de fazer greve, mas só vai decidir no próprio dia. Sente que os colegas têm grande vontade de aderir à paralisação: “De uma forma geral, os professores estão com vontade de fazer greve mas nota-se que os contratados estão com medo”, disse ao PÚBLICO este professor de Educação Visual e Tecnológica.

Apelos ao entendimento e críticas ao Governo
Em dia de manifestação, o braço de ferro entre professores e Governo está também a marcar a agenda política. Jorge Moreira da Silva, vice-presidente do PSD, fez um apelo "a que seja possível nas próximas 48 horas encontrar uma solução".

“Não estou a pedir que os professores prescindam da defesa dos seus interesses e das suas lutas, mas espero que essa defesa não ponha em causa as legítimas expectativas e o direito dos alunos realizarem os seus exames”, acrescentou, citado pela Lusa, admitindo ter “esperança” que sindicatos e Governo cheguem a um consenso no fim-de-semana.

Já o líder do PS, António José Seguro, criticou o Governo por não ter alterado o exame de Português para dia 20. "Os professores ofereceram uma solução - a realização dos exames no dia 20 – e o Governo recusou. Eu considero que o Governo é responsável por esta situação”, disse o secretário-geral socialista, em Paris, considerando "errado” o Governo ter rejeitado essa proposta, porque permitiria “que os alunos pudessem realizar os seus exames tranquilamente, como deve ser num Estado de Direito”.

Depois de mais uma ronda negocial com o Governo na sexta-feira, ficou tudo na mesma. Nem os sindicatos desconvocaram a greve, nem o Governo alterou a data do exame.

Mário Nogueira repetiu que a única forma de a greve de segunda-feira ser desconvocada é o Governo recuar em três matérias: a mobilidade especial dos professores (que prevê a desvinculação de quem ficar 12 meses sem colocação), a mobilidade interna no sistema de educação (possibilidade de serem colocados a quilómetros de distância) e aumento do horário de trabalho (de 35 para 40 horas semanais).

O líder da Fenprof acusou ainda o ministro Nuno Crato de ser o responsável se algum aluno não puder fazer exame de Português na segunda-feira e disse que o ministro da Educação “deve ser colocado em tribunal” pelas famílias, porque é o responsável, por não ter mudado a data do exame - entretanto, a Confederação Independente de Pais pediu a suspensão imediata dos exames.

Dias da Silva, por sua vez, disse que desde sexta-feira à noite não houve mais contactos com o Governo, mas continua a afirmar-se disponível para o diálogo: "Fomos sempre a jogo na negociação."