Cavaco pede ao Governo que dialogue com professores para evitar greve

Chefe de Estado faz em Estrasburgo um pedido a Passos Coelho para que preserve o que foi conseguido na concertação social.

O Presidente da República fez nesta quarta-feira um apelo ao Governo para explorar "até ao limite" as possibilidades de diálogo com os sindicatos dos professores e resolver o conflito ligado à convocação de uma greve para segunda-feira, o primeiro dia dos exames do ensino secundário.

"Espero que o Governo explore até ao limite as possibilidades de diálogo com os sindicatos", afirmou Cavaco Silva durante uma conferência de imprensa na sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, considerando "muito importante" preservar "o que foi conseguido (...) no âmbito da concertação social".

Frisando que uma greve é "um direito constitucional que não pode deixar de ser respeitado", o chefe de Estado avisou no entanto que também "é preciso ter em atenção aqueles que são afectados". "E neste caso, são os jovens portugueses, aqueles que estão a preparar o seu futuro, que se têm vindo a preparar para os exames e que com certeza vivem momentos de ansiedade e momentos de incerteza", sublinhou.

"Confesso que não gosto nada de ver os nossos jovens, as nossas crianças serem utilizadas como meios para alcançar fins. Elas não têm culpa das divergências que se verificam entre o Governo e os sindicatos", disse ainda Cavaco, pedindo que se tenha em  atenção que "estão em causa objectivos de futuro para aqueles (...) em que nós depositamos uma grande esperança". Por isso, concluiu, "continuo a esperar que até à última hora seja possível algum entendimento entre o Governo e os sindicatos".

Há uma semana, o chefe de Estado já tinha manifestado o seu desejo de que houvesse um entendimento entre as duas partes, afirmando que "os estudantes não podem ser meios para atingir fins".