O sol deu mais festa ao Serralves em Festa, que voltou a ser "especial"

Uma multidão assistiu ao evento Serralves em Festa, que ocupou 40 horas do fim-de-semana. Houve concertos, circo contemporâneo, performances e até teatro ilusionista

Há uma trapezista suspensa no prado de Serralves a reagir aos sons criados por um baterista: ora deita-se no trapézio, ora trepa-o, ora gira sobre ele. À frente deles, membros da companhia francesa Jo Bithume, juntam-se centenas de pessoas que se sentam, sem medo, na relva do prado para ver este espectáculo de circo contemporâneo, Traz Fusion. Podem agradecer ao sol que apareceu ao início da tarde de ontem e deu novo ânimo ao Serralves em Festa, no Porto.

Às 18h, já se tinham registado 77.658 entradas no evento (mais 4% do que em 2012 à mesma hora) e a directora-geral da Fundação de Serralves, Odete Patrício, esperava que o número global de entradas ultrapassasse as do ano passado (84 mil), graças à melhoria do estado do tempo durante a tarde de ontem e ao facto de ser véspera de feriado. E os milhares de pessoas que ainda entravam em Serralves ao final da tarde de ontem assim o pareciam indicar.

"O balanço é muito positivo", sintetizou ao PÚBLICO a directora-geral da fundação, que tem no Serralves em Festa um "momento especial" na sua relação com o público. "Multiplicámos os lugares de actuações, aproveitámos melhor alguns espaços."

Ontem, pelas 14h, o parque começava a encher. O vestuário dizia tudo sobre a imprevisibilidade do tempo: uns traziam guarda-chuvas e casacos, outros foram de t-shirt. Àquela hora, numa varanda da Casa de Serralves, uma donzela acenava ao povo. Nas imediações, um jovem inexpressivo carregava uma marioneta cuja única expressão era um bocejo. Uns passos abaixo, uma "princesa falida" vendia jóias "para ter comida" e uma outra, de cabelos azuis, dava beijinhos a quem os quisesse receber - incluindo um dos 400 voluntários da festa. Marionetas - "damas, donzelas e princesas" - vindas da Escola Artística de Soares dos Reis.

Pouco depois, fez-se fila para entrar na Casa de Serralves. "O que é música experimental?", ouvimos perguntar, enquanto esperávamos. Dentro da casa seria dada uma das várias respostas possíveis: a sueca Hanna Hartman e quatro músicos portugueses faziam música com objectos do dia-a-dia, resultado de um workshop de três dias. Atrás deles, lá fora, uma agitação (bailarinos a correr, o povo atrás deles), silenciada pelos grandes vidros da casa; dentro da casa, só texturas, detalhes, sons vindos de um aquário, brinquedos, instrumentos inventados. E uma pequena audiência, sentada no chão.

Noutro ponto do parque, o Real Pelágio preparava outro espectáculo de subtilezas, o Domicília Magic Show, entre o teatro e o ilusionismo. Por lá viu-se um candeeiro que flutua silenciosamente. Um cenário muito diferente do que aquele a que se assistiu, pelas 16h, no Ténis. O português Jibóia, armado de guitarra eléctrica e teclados baratos, montou o seu rock exótico para felicidade de um espectador descalço que dançou junto ao palco.

"Abertura à cidade"

O concerto de Jibóia foi um dos muitos espectáculos organizados por parceiros (41 no total) do Serralves em Festa, uma filosofia que demonstra que a "grande festa de abertura à cidade e aos portuenses" abre-se também aos "agentes culturais da cidade", que estão "próximos" dos criadores, diz André Gomes, do site Bodyspace. Programou a actuação de Jibóia e outros concertos. "É óptimo Serralves olhar para as estruturas locais e dar esta oportunidade de se poder mostrar estes novos talentos", acrescenta Joaquim Durães, da Lovers & Lollypops, promotora e editora do Porto.

"Enriquece a festa e é bom para os parceiros", que podem apresentar "projectos de vanguarda" para um público maior, diz Odete Patrício. Ela própria foi "surpreendida". Só na noite de sábado teve duas surpresas: o circo contemporâneo de Slips Inside e o "concerto fantástico" dos portugueses Sensible Soccers.

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