Director dos serviços secretos dos EUA acusa media de irresponsabilidade por divulgarem PRISM

James Clapper explica para que serve o programa de recolha de dados na Internet.

James Clapper garante que o PRISM é legal
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James Clapper garante que o PRISM é legal Reuters

O director dos serviços secretos dos Estados Unidos, James Clapper, admitiu conhecer o programa de vigilância iniciado na era Bush, com o nome de código PRISM, e que permite ter acesso directo aos servidores de nove gigantes tecnológicos como a Microsoft, Google, Apple, YouTube ou Facebook, de forma a aceder a informação e contactos dos utilizadores no estrangeiro. Contudo, acusa os meios de comunicação social de fazerem "revelações irresponsáveis", ao divulgarem este programa.

James Clapper, no sábado, disse que o PRISM é "legal", uma vez que foi debatido no Congresso e tem a supervisão de um tribunal dos serviços secretos.

As declarações de Clapper surgiram dias depois de ter chegado a público a existência do programa. O responsável critica os meios de comunicação que o fizeram. "Revelar informação específica sobre os métodos que o Governo usa para recolha de informação pode, como é óbvio, dar aos nossos inimigos um manual de 'como evitar ser detectado'", explicou.

Contudo, acrescentou que deu autorização para libertar detalhes do programa para "dissipar alguns dos mitos e adicionar o contexto necessário ao que foi publicado". O PRISM é um sistema interno que é usado para facilitar a recolha de dados de comunicação com supervisão de um tribunal, definiu.

O responsável nega que o que esteja a ser feito seja ciberespionagem, como avançavam o Washington Post e o Guardian, no final da semana. E nega que os serviços da Agência de Segurança Nacional (NSA) e o FBI tenham acesso directo aos servidores do Google, Facebook ou Apple, entre outras empresas. O Governo "não obtém informações desses servidores unilateramente". O acesso é feito depois de um mandato do Tribunal dos Serviços Secretos, com o conhecimento das empresas e as directivas escritas pelo Procurador-Geral e pelo próprio Clapper. As razões para a NSA intervir estão relacionadas apenas com questões como a prevenção do terrorismo, proliferação nuclear ou actividades hostis no ciberespeaço.

Esta recolha de informação previne o terrorismo e tem contribuido para operações bem sucedidas que impedem a proliferação de armas de destruição em massa, conclui o responsável máximo pelos serviços secretos norte-americanos.

No Reino Unido, o Governo está a ser pressionado por deputados, académicos e grupos de defesa dos direitos dos cidadãos para explicar se os serviços de informação daquele país têm beneficiado do PRISM.

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