Já não temos desculpas para entrarmos às cegas no Parque Nacional do Gerês

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Legenda Em delit am, conullum zzril illa aut alis nit adigna corting eriustrud fotos: Nuno Alexandre MENDES

Porta do Mezio, em Arcos de Valdevez, concluiu projecto das cinco portas da área protegida. "É a melhor forma de controlar o turismo de massas", dizem os responsáveis

Não há desculpas para continuar a cometer erros na área do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG). O projecto das portas do parque está praticamente concluído e os visitantes têm agora ao seu dispor cinco estruturas onde podem recolher informação sobre a fauna e a flora daquela área protegida. E conhecer as regras de funcionamento do único parque nacional do país. No próximo mês, é inaugurada a última entrada, no Mezio, em Arcos de Valdevez.

A ideia da criação de cinco portas do PNPG - tantas quantos os municípios abrangidos pela área protegida - tem cerca 40 anos e foi defendida pelo primeiro director do parque, Lagrifa Mendes. A criação de um ponto de recepção aos visitantes tinha como objectivo dar a conhecer a quem chega ao Gerês um pouco do que pode ver nas serras.

Esta é "a melhor forma de controlar o turismo de massas" na área protegida, defende Luís Macedo, que dirigiu o único parque nacional do país entre 2003 e 2006 e é hoje responsável pela área do PNPG no município de Arcos de Valdevez. Ao chegar à Peneda-Gerês, o visitante dirige-se à porta mais próxima e tem um primeiro contacto com as características naturais da área protegida. "Orientamos o visitante e evita-se que as pessoas entrem sem qualquer informação nas zonas mais sensíveis", explica o mesmo responsável.

A porta do Mezio é a última a ser inaugurada e fica precisamente no concelho de Luís Macedo. A área de recepção está equipada de forma a responder às solicitações dos visitantes que procuram a Peneda-Gerês como espaço de lazer. Há uma pequena piscina, área para piqueniques e até um muro de grelhadores homologado para trabalhar no Verão. Quem vem para passar um dia em família, pode ficar por aqui. E os amantes da Natureza podem explorar as áreas mais profundas do parque, dentro das regras fixadas.

A ideia das portas do parque nacional não é apenas controlar os fluxos mais maciços de visitantes, mas dar informações a quem chega. Por isso, cada uma das estruturas tem um tema de base. No caso do Mezio é a Biodiversidade, que dá o mote a uma área de cinco hectares com vários equipamentos. O espaço central, que corresponde a um antigo viveiro florestal, tem hortos com as principais espécies vegetais do PNPG e esculturas de dez das espécies animais que vivem na área.

O investimento da Câmara de Arcos de Valdevez - que ascende a dois milhões de euros - criou também estruturas destinadas a acolher a delegação da direcção do PNPG, mas que continua vazia e sem indicações de quando possa vir a ter uso. Junto à porta funciona também um núcleo museológico dedicado ao megalítico, que está perto do complexo de mamoas e gravuras rupestres existente na mesma área de entrada do parque nacional.

A porta do Mezio já está a funcionar desde 2009, mas só agora o projecto está totalmente concluído. Mesmo sem estar a funcionar a 100%, a estrutura tem aumentado o número de visitantes de ano para ano e já recebeu 46.459 pessoas. No próximo dia 11 de Julho, a inauguração oficial do equipamento fecha praticamente o ciclo das portas do PNPG. O único revés no projecto tem a ver com a porta de Paradela, em Montalegre. Inaugurada em 2010, não está a funcionar, pelo que a recepção aos visitantes no único concelho do distrito de Vila Real que faz parte do PNPG é feita no Ecomuseu do Barroso.

Apesar de ter quatro décadas, a ideia só começou a avançar já neste século. A primeira porta a abrir ao público foi a de Lamas de Mouro (Melgaço), onde, desde 2004, já passaram 18 mil pessoas. Dois anos depois, abriu ao público a de Campo do Gerês, em Terras de Bouro, uma das mais procuradas. O facto de acolher também o Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna (aldeia submersa pela albufeira da barragem homónima) tem valido especial atenção dos utilizadores. Mais de 80 mil pessoas passaram ali desde a sua abertura.

A mais recente das entradas do parque começou a funcionar em 2008, no concelho de Ponte da Barca. A estrutura está instalada no Castelo de Lindoso, a três quilómetros da fronteira espanhola, e é a única porta transfronteiriça do PNPG, permitindo a ligação entre a área protegida portuguesa e o Parque Natural Baixa Limia/Serra do Xurés, criado em 1992.

A fortificação beneficiou de obras, o que permitiu criar um núcleo museológico militar, lembrando o tempo em que aquele castelo foi um importante reduto de defesa da fronteira. No interior da muralha existirá um núcleo explicativo das características de fauna e flora do parque, bem como do património histórico do concelho. Do lado de fora, junto do maior conjunto de espigueiros de Portugal, estará a porta do parque, com uma loja de produtos locais, um pequeno auditório e o espaço de recepção dos visitantes do PNPG.

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