Novo Governo de transição na Guiné-Bissau com ministros do PAIGC

Decreto revela equipa que deverá governar até às eleições. Fazem parte do executivo de "inclusão" ministros do PAIGC, partido do Governo derrubado pelo golpe de 2012.

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Equipa escolhida por Serifo Nhmadjo deve levar o país a eleições AFP

O Presidente guineense de transição, Serifo Nhamadjo, nomeou um novo Governo de transição que mantém como primeiro-ministro Rui Duarte Barros. O Executivo inclui nomes do PAIGC, partido que estava no poder antes do golpe de Estado de Abril de 2012, e deve liderar o país até às eleições previstas para este ano.

Segundo a nova orgânica divulgada num decreto de Serifo Nhamadjo, a que a agência Lusa teve acesso, o novo Executivo vai ter três ministros de Estado, um deles Ocante da Silva, nomeado pelo PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), do primeiro-ministro derrubado, actualmente exilado em Portugal, Carlos Gomes Júnior.

Ocante da Silva volta à pasta da Função Publica, da Reforma do Estado, Trabalho e Segurança Social, que ocupava antes do golpe. No executivo nomeado após a tomada de poder pelos militares o cargo era ocupado por Carlos Vamain.

De acordo com o decreto, os outros ministros de Estado são o titular da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares, Fernando Vaz, que tem sido o porta-voz civil do poder saído do golpe; e o ministro dos Transportes e Telecomunicações, nomeado pelo PRS (Partido da Renovação Social, tradicionalmente a segunda força política, que apoiou a solução militar).

O novo ministro dos Negócios Estrangeiros, Fernando Delfim da Silva, é tido como uma figura independente dos partidos, tendo sido no passado ministro da Educação e dos Negócios Estrangeiros. Actualmente era professor na Escola Portuguesa de Bissau e comentador político e substitui Faustino Imbali, que deixa o Executivo.

Há outras mudanças no Governo formado após o golpe de Estado de 12 de Abril de 2012. É o caso de Abubacar Demba Dahaba, que deixa a pasta das Finanças, que passa para Gino Mendes, até aqui secretário de Estado do Tesouro e Assuntos Fiscais, e Vicente Poungura, que sai do Ministério da Educação para dar lugar a Alfredo Gomes, proposto pelo PRS. Fernando Gomes  foi substituído na pasta das Infra-estruturas por Rui Araújo (proposto pelo PAIGC).

Mantêm-se Fernando Vaz, embora agora sem o pelouro da Comunicação Social - que passa para a dependência directa do chefe do Executivo - mas ascendendo ao cargo de ministro de Estado. Permanecem ainda Celestino de Carvalho, ministro da Defesa e dos Combatentes da Liberdade da Pátria, e António Suca N’Tchamá, ministro do Interior. Ambos são militares na reserva.

Daniel Gomes mantém-se também como ministro da Energia e Indústria, deixando a coordenação dos Recursos Naturais a Certório Bioté (PRS) como novo ministro da área. Outra entrada é a de Soares Sambu (PAIGC) para ministro da Economia e Integração Regional, cargo que era ocupado por José Biai, que deixa o Executivo.

No Ministério da Justiça, Saído Baldé permanece como ministro, Agostinho Cá mantém-se na Saúde, embora deixe de coordenar a  Solidariedade, Família e Luta Contra Pobreza. Batista Té permanece como ministro da Administração Territorial e Poder Local e Abubacar Baldé mantém-se como ministro do Comércio, da Valorização de Produtos Locais e Artesanato.

O Ministério da Agricultura mudou de direcção, sendo agora ministro Nicolau Santos (também PRS), antigo embaixador da Guiné-Bissau na China, tendo saído Malam Mané do cargo. Na nova orgânica o sector das Pescas passa a ministério, que será chefiado por Mário Lopes da Rosa, outro dos nomeados pelo PAIGC.

A única mulher com o cargo de ministro é Gabriela Fernandes (igualmente do PAIGC), que irá liderar o Ministério da Mulher, Família e Solidariedade Social.