Clément Méric morreu do murro que levou na cara

Jovem francês militante da extrema-esquerda foi atacado na quarta-feira por um neonazi.

A manitestação de quinta-feira em Paris
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A manitestação de quinta-feira em Paris PASCAL PAVAN/AFP

Clénet Méric morreu devido a um murro que recebeu no rosto, noticia o jornal Le Monde que cita o relatório da autópsia. O estudante universitário e militante da extrema-esquerda envolveu-se na quarta-feira numa discussão com elementos da extrema-direita e foi agredido por um destes.

Méric apresentava também uma lesão no crânio que foi consequência do embate da cabeça numa barra metálica, o que terá acontecido quando caiu depois de receber o murro.

Cinco pessoas continuavam esta sexta-feira detidas, entre elas o suspeito de ter desferido o murro que matou Méric. Trata-se de um homem entre os 20 e os 30 anos identificado como Esteban M., que tem nacionalidade francesa e espanhola e é membro ou simpatizante do grupo neonazi Juventude Nacional Revolucionária (JNR, que tem um ramo armado chamado Terceira Via). O líder da JNR, Serge Ayoub, que tem 48 anos e o nome de rua de "Batskin" (uma alusão à arma preferida dos skinheads, o bastão de baseball), foi também detido para interrogatório.   

O jornal El País diz que Esteban M. foi detido na quinta-feira quando se dirigia a uma esquadra de polícia para se entregar.

Clément Méric e Esteban M. coincidiram na quarta-feira ao final da tarde num apartamento de Paris onde se realizava uma venda privada de roupa. Envolveram-se numa discussão que, disseram as testemunhas, se dispuseram a transportar para a rua. Não terá chegado a haver rixa entre os dois grupos (Méric estava acompanhado, tal como Esteban M.), uma vez que tudo terminou quando Méric foi atingido no rosto por um murro dado com uma soqueira e caiu inconsciente no chão. A autópsia diz que foi esse muro que o matou; esteve durante algumas horas em morte cerebral.

Méric era militante do sindicato Solidiers e membro da Acção Antifascista, um grupo de extrema-esquerda de inspiração anarco-sindicalista e comunista (são também conhecidos como Redskins). Esta extrema-esquerda tem pontos em comum com a extrema-direita - muitos são cabeças-rapadas e o seu vestuário assemelha-se em alguns aspectos.

A morte de Méric levou milhares de franceses às ruas de Paris na quinta-feira, em protesto contra a violência da extrema-direita, que é crescente em França. No Parlamento debateu-se se alguns destes grupos devem ser dissolvidos. O Presidente François Hollande defendeu também que estes grupos sejam identificados de forma a que sejam "tomadas medidas" para os travar.