BCE recusa mea culpa do FMI sobre ajuda à Grécia

Questionado sobre se o BCE também assume erros no caso da Grécia, Draghi respondeu: "Nem por isso".

Mario Draghi mostrou-se ambíguo quanto ao perdão da dívida grega
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Mario Draghi mostrou-se ambíguo quanto ao perdão da dívida grega Daniel Roland/AFP

Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), recusou esta quinta-feira fazer mea culpa em relação ao plano de ajuda à Grécia, distanciando-se da posição assumida na quarta-feira pelo FMI.

Questionado sobre se o BCE tem alguma mea culpa a fazer sobre a Grécia, como fez o FMI, Draghi respondeu: "Nem por isso".

A posição do BCE é idêntica à da Comissão Europeia, que também já rejeitou a assunção de erros graves na plano de resgate à Grécia, como o fez o Fundo Monetário Internacional.

Na conferência de imprensa que se seguiu à reunião mensal do conselho de governadores, que manteve a taxa de referência inalterada nos 0,5%, Mario Draghi manifestou alguma apreensão pelo adiamento de metas de défice em vários países da Europa.

Para o presidente do BCE, essa flexibilidade deveria acontecer em situações “excepcionais”, defendendo que é fundamental que os países continuem com as reformas estruturais. “Se um país consegue um adiamento e, passados um ou dois anos, volta com um défice ou dívida superior, os mercados não vão gostar e vão acabar por castigar estes países”, defendeu Draghi.

A Comissão Europeia recomendou ao Conselho Europeu que flexibilize as datas-limite para a correcção dos défices excessivos para seis países: Portugal, Espanha, França, Holanda, Polónia e Eslovénia.