Governo da Venezuela testa sistema de racionamento de produtos

Oposição acusa o Governo do Presidente Maduro de querer reproduzir o sistema cubano.

Maduro diz que quer combater o contrabando
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Maduro diz que quer combater o contrabando Oswaldo Rivas/Reuters

As autoridades do estado venezuelano de Zúlia (800 km a oeste de Caracas) vão testar um sistema automatizado de racionamento de produtos que impedirá que os habitantes comprem o mesmo produto em diferentes supermercados no mesmo dia.

A nova medida é conhecida como Plan Antibachaqueo (Plano Anticontrabando) e a explicação oficial para a sua aplicação é impedir que produtos comprados na Venezuela sejam levados e comercializados na Colômbia. A oposição ao Governo do Presidente Nicolás Maduro denunciou que se trata de aplicar no país um sistema de racionamento semelhante ao que existe em Cuba e que assenta em cupões.

“Não permitimos que o Governo use o Estado para criar um sistema de racionamento semelhante a Cuba”, disse o deputado da oposição Elias Matta, do governo estadual de Zúlia. “ Isto mostra o fracasso do socialismo do século XXI” .

A Venezuela, um país produtor de petróleo, tem há alguns meses falta de produtos básicos e à porta de algumas lojas há longas filas para comprá-los – desde papel higiénico a manteiga. A desvalorização da moeda tem sido apontada como uma das razões para esta escassez; o bolívar venezuelano não é suficientemente forte para pagar a importação de produtos.

O sistema, disse em conferência de imprensa um membro do governo estadual, Blagdimir Labrador, começará a ser testado no dia 10 de Junho. Estão a ser realizadas reuniões com representantes de supermercados. “ Trata-se de um sistema desenhado pela governação e integrado num servidor da CANTV [Companhia Anónima Nacional de Telefones da Venezuela] e que será dirigido pelo executivo regional para monitorizar a compra de vinte produtos com preço regulado”, disse Labrador.

Blagdimir Labrador, citado pela Reuters, explicou que “o sistema registrará a compra do produto num estabelecimento e evitará que a mesma pessoa compre o mesmo produto no mesmo dia, noutro estabelecimento. O sistema determinará o período de tempo necessário para que se possa comprar de novo o produto. Sabemos que há produtos que duram mais do que um dia”, afirmou.

O programa poderá, depois de testado, ser instalado em 65 supermercados de Zúlia. Entre os produtos cuja venda será racionada estão o leite, o arroz, o óleo vegetal, a farinha de milho, o açúcar, o papel higiénico e a pasta de dentes.

 Considerando uma família de tamanho médio, um indivíduo só deve poder comprar 20 produtos identificados [na lista] no espaço de tempo que nós determinarmos”, disse Labrador ao jornal Panorama.

A Venezuela já tem um sistema de controlo de preços que mantém muito abaixo do valor de mercado o arroz e a farinha, o que incentiva a acumulação do produto em casa para prevenir futuras faltas. O contrabando também existe, sobretudo nas zonas fronteiriças com a Colômbia, país onde estes produtos são vendidos por preços mais elevados.

A agência Lusa, explicando que Zúlia se trata de um estado venezuelano onde vive uma larga comunidade de portugueses, acrescenta que um dos bens mais contrabandeados para a Colômbia é a gasolina, que na Venezuela tem o preço controlado e que no país vizinho é vendida a preços “ internacionais” .


 

 
 
 

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