Jupp Heynckes anuncia uma pausa mas não o fim da carreira

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Esta foi uma época brilhante para o treinador alemão e para o Bayern TOBIAS SCHWARZ/REUTERS

O alemão diz que precisa de férias, deixou entender que não treinará na próxima época, mas manteve o seu futuro em aberto

Jupp Heynckes hesita em anunciar a reforma. Aos 68 anos, e depois de conduzir o Bayern Munique ao topo do futebol europeu com uma tripla coroa inédita (campeonato, Taça e Liga dos Campeões) para um clube alemão, o treinador revelou ontem que fará uma pausa durante a próxima época. Poderá ser uma retirada em alta, só que deixou a porta aberta para um regresso ao banco.

"Em primeiro lugar, irei tirar férias e não treinarei nenhum clube, dentro ou fora, a partir de 1 de Julho. Depois verei o que fazer", disse Heynckes, que, contudo, acrescentou não gostar da palavra "final".

O alemão afirmou que precisa de descansar depois de as últimas temporadas terem sido desgastantes. "Esta época atingi o meu limite. Percebi que cheguei a uma idade em que recuperar demora muito mais tempo. Treinar o Bayern gasta muita força e energia", explicou.

O Bayern anunciou em Janeiro que Guardiola o substituiria neste Verão, mas Heynckes revela que já tinha decidido sair antes disso. "Eu disse à minha mulher, depois de termos perdido a Liga dos Campeões de 2012, que iria cumprir o meu contrato, mas que não continuaria depois disso". No momento do anúncio, de resto, o Bayern disse que Heynckes se iria reformar, o que motivou a sua insatisfação.

Interessados no prolongamento da sua carreira não faltam, admite o próprio. "Depois de uma época destas, é normal que outros clubes estejam interessados. Clubes ricos, para os quais o dinheiro não é problema, outros onde se pode passar umas boas férias. E um clube de grandeza internacional, mesmo que neste momento não tenha o nível desportivo do Bayern", referiu, relançando, neste último caso, a especulação em torno do Real Madrid.

Seja a última ou não da carreira de Jupp Heynckes, 2012-13 ficará sempre gravada como uma temporada histórica para o técnico e para o Bayern. Depois de dois anos de domínio do Borussia Dortmund e de acabar em segundo na Bundesliga, na Taça e na Liga dos Campeões na época passada, o Bayern, que não conquistava um troféu desde 2010, regressou aos triunfos pela porta grande. Não deixou fugir nenhum título e acabou com quatro: os três mais conhecidos e ainda a Supertaça alemã.

Mas o historial de títulos de Heynckes foi inaugurado há muito, nos tempos de jogador. Antigo avançado de renome, é ainda o terceiro melhor marcador da história da Bundesliga, com 220 golos (em 369 jogos), registo somente superado por Gerd Müller (365) e Klaus Fischer (268). Máximo goleador do campeonato em 1973-74 e 1974-75, foi uma das estrelas do grande Borussia Mönchengladbach que marcou a década de 70 do futebol alemão. Ganhou cinco Bundesligas, uma Taça da Alemanha, a Taça UEFA de 1974-75 e foi finalista vencido na Taça dos Campeões Europeus de 1976-77. Também teve sucesso na selecção alemã (39 jogos e 14 golos), sagrando-se campeão europeu (1972) e mundial (1974).

Os maiores êxitos como treinador - período em que ganhou a alcunha de "Osram", relativo ao fabricante de lâmpadas, pela forma como a sua cara fica vermelha em situações de maior inquietação durante os jogos - obteve-os no Bayern. Foi no comando dos bávaros que conquistou as suas três Bundesligas (1988-89, 1989-90 e 2012-13) e uma das suas duas Liga dos Campeões. A outra assegurou-a com o Real Madrid, em 1997-98. Espanha foi, de resto, o segundo país mais presente na sua carreira de treinador. Só treinou em mais um, Portugal, mas a passagem pelo Benfica não teve sucesso e ficou marcada pela goleada europeia sofrida perante o Celta Vigo (7-0).

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