Real Vinícola de Matosinhos pode tornar-se num museu da arquitectura provisório

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O edifício da Real Companhia Vinícola chegou a ser um albergue NUNO ALEXANDRE MENDES

Estrutura está fechada há mais de 40 anos. Vai ser reabilitada para ser museu até ser construída a Casa da Arquitectura

O centenário edifício da Real Companhia Vinícola em Matosinhos, que está abandonado e degradado há várias décadas, vai ser reabilitado pela autarquia. "Dentro de dois meses deverão começar as obras, que demorarão aproximadamente cinco meses", disse ao PÚBLICO o presidente da Câmara de Matosinhos (CMM), Guilherme Pinto.

Segundo o autarca, o município pretende fundamentalmente "evitar a continuação do estado de profunda degradação de um edifício que está em risco". Porém, Guilherme Pinto admite que a CMM quer depois passar a usar o edifício e uma das intenções é, no futuro, transformar uma parte em museu de arquitectura.

"Enquanto não temos uma casa de arquitectura pronta, vamos aproveitar este espaço para avançar com esse projecto, usando-o como montra e museu", explicou Guilherme Pinto. A reabilitação do edifício, situado na Avenida Menéres, em Matosinhos Sul, vai ser hoje discutida em reunião do executivo que depois enviará o projecto para a assembleia municipal. No total, a recuperação custará mais de 470 mil euros.

Nos últimos anos, foram vários os usos que se referenciaram para o edifício da Real Companhia Vinícola. Chegou a estar destinado a acolher o Centro de Ciência e Tecnologias do Mar, que, afinal, será definitivamente instalado no Terminal de Cruzeiros de Leixões. A intenção de o usar como Casa de Arquitectura, enquanto a casa definitiva não é construída, surge depois de o arquitecto Siza Vieira ter apresentado publicamente, em 2011, o projecto de edifício para aquela futura casa. Já tem terreno, mas falta o financiamento.

A casa deverá nascer à entrada de Matosinhos, sobranceira ao Porto de Leixões, num terreno cedido pela Administração dos Portos de Douro e Leixões. Custará 43 milhões e na, altura, Guilherme Pinto anunciou que o concurso seria lançando assim que fossem obtidos os necessários apoios comunitários.

Segundo a proposta que hoje vai a reunião, o executivo pretende manter a traça original dos edifícios que compõem o chamado quarteirão da Real Companhia Vinícola. "É um edifício que está fechado há mais de 40 anos e que foi comprado pela autarquia há 15 anos", explicou Guilherme Pinto. Foi o primeiro edifício industrial implantado naquela zona, construído pela empresa Menéres & C.ª entre 1897 e 1903.

"Era um conjunto de armazéns onde se procedia à rotulagem, embalagem e expedição do vinho, possuindo também um espaço laboratorial de análise e a primeira tanoaria a vapor existente na região. Possuía no seu interior um grande pátio onde terminava a linha férrea que fazia ligação às docas do Porto de Leixões", refere o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico no seu site. A companhia faliu em 1930, tendo o complexo ficado à mercê da degradação. Chegou a ser usado como albergue de desalojados e retornados de África.

"Estamos neste momento com um investimento de cerca de dois milhões de euros em reabilitação de edifícios. Ainda hoje [ontem], começámos a recuperar o Palacete de Trevões", disse Guilherme Pinto. O investimento, que atingirá também a Casa de Chá da Boa Nova, o Salão Paroquial de S. Mamede de Infesta e o de Leça da Palmeira, a Capela do Corpo Santo e a Capela da Boa Nova, ocorre no âmbito das comemorações dos 500 anos do Foral de Matosinhos. Aquele palacete, construído em 1911 por um torna-viagem, estava agora fechado depois de a autarquia, que o comprou em 1955, o ter usado para funções de ensino, biblioteca e sede da polícia municipal.

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