Banco Alimentar com balanço positivo apesar de números provisórios mais modestos

Até às 18h, tinham sido recolhidas 1788 toneladas de alimentos. Pela primeira vez, na Madeira foram doadas 41 toneladas.

Foto
Campanha Saco decorreu durante o fim-de-semana mas ainda é possível doar alimentos até 9 de Junho Enric Vives-Rubio/Arquivo

“Faço um balanço muito positivo. Em períodos de crise os portugueses mobilizam-se mais quando acreditam na causa”, disse ao PÚBLICO Isabel Jonet, que preside à Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome.

Os produtos mais doados são, como é habitual, leite, arroz, massa, enlatados e outros produtos não perecíveis. A recolhê-los estiveram cerca de 39 mil voluntários.

No sábado, primeiro dia da campanha, os voluntários dos 20 bancos alimentares espalhados pelo país recolheram 1322 toneladas, ficando “ligeiramente abaixo” dos números do ano passado. Neste último dia da Campanha Saco, os resultados – que às 18h eram ainda provisórios uma vez que a campanha só termina às 23h – ainda estavam longe das 2640 toneladas recolhidas na mesma campanha de Maio de 2012.

"Os números deste ano poderão estar ligeiramente abaixo dos do ano passado, mas estão dentro do habitual", avalia Isabel Jonet, que acredita num aumento das doações ao final do dia, tal como aconteceu no sábado. "Apesar de ter sido o primeiro verdadeiro fim-de-semana de praia as pessoas não deixaram de ir ao supermercado e contribuíram”, acrescentou.

Na Madeira, onde o Banco Alimentar abriu a sua primeira delegação há um ano, o balanço também é positivo. Ao final da tarde, a algumas horas do encerramento dos maiores supermercados, previsto para as 23h, tinham sido recolhidas mais de 41 toneladas. Fátima Aveiro, responsável pela delegação, enalteceu a colaboração de cerca de 800 voluntários, das cadeias de distribuição e dos doadores madeirenses. “Até agora nenhuma instituição conseguiu este resultado na região”, sublinhou.

“Imensamente feliz e grata”, Fátima Aveiro regista que "ninguém é indiferente ao problema da fome, particularmente num momento em que se verifica um significativo agravamento das dificuldades alimentares com que se debatem muitas famílias”. E acrescenta: “Maior do que a crise é a solidariedade dos madeirenses e os números atingidos dão sinais da sensibilidade da sociedade civil para este problema, procurando proporcionar uma vida melhor aos mais necessitados”.

Este ano, pela primeira vez, a campanha estendeu-se a Cabo Verde, onde o Banco Alimentar está a desenvolver um projecto em parceria com a associação Entrajuda. Um dos objectivos é criar bancos alimentares no arquipélago. Ao final da tarde, Isabel Jonet não tinha ainda os resultados da recolha.

A recolha nos supermercados termina neste domingo, mas até 9 de Junho é possível ajudar de duas formas: adquirindo um vale nas caixas dos supermercados, que é depois convertido em alimentos, ou através da Internet, em www.alimentestaideia.net, onde é possível doar alimentos sem ir ao supermercado. Esta plataforma, pensada sobretudo para a comunidade emigrante e para as pessoas que habitualmente não se deslocam às grandes superfícies, permite seleccionar produtos e fazer uma doação da quantia correspondente.