Laboratório militar disponível para produzir remédios para crianças

Infarmed contactou o laboratório, que indicou ter capacidade de produção. Mas o ministro da Saúde diz que os medicamentos importantes não faltam.

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Decisão sobre produção de medicamentos no laboratório militar compete ao ministro da Saúde Fernando Veludo

O laboratório militar manifestou disponibilidade para produzir remédios para crianças, depois de ter sido contactado pela autoridade nacional do medicamento, informou neste sábado fonte oficial do Ministério da Defesa Nacional.

Reagindo à notícia do semanário Expresso que refere a falta de medicamentos pediátricos mais baratos nas farmácias, porque dão pouco lucro a laboratórios, grossistas e farmácias, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, admitiu que o laboratório militar podia “produzir algumas substâncias”, embora “em termos residuais”.

O ministro da Saúde assegurou, ainda assim, que o Infarmed faz constantemente a monitorização das faltas de medicamentos em todo o país e que, até agora, “os mais importantes não têm estado nunca em falta”.

Fonte oficial do Ministério da Defesa Nacional afirmou à agência Lusa que, mesmo antes da publicação da notícia, houve um contacto prévio da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) para o laboratório militar, que indicou ter capacidade e disponibilidade para produzir medicamentos de uso pediátrico.

A fonte não adiantou quais e a quantidade de medicamentos em causa, nem quando o laboratório militar começará, eventualmente, a fabricá-los, remetendo mais esclarecimentos para o Ministério da Saúde, ao qual, disse, compete tomar uma decisão sobre a matéria.

A possibilidade de produzir medicamentos naquele laboratório foi bem recebida pela Associação Portuguesa de Farmacêuticos Hospitalares (APFH), que considera a medida "acertada”.

Em comunicado, a APFH sublinha que as rupturas de fármacos “são um problema que tem vindo a crescer e que afecta também os hospitais”. Para esta associação, as rupturas nas reservas de remédios “podem pôr em causa a segurança dos doentes, aumentar as desigualdades na saúde e afectar seriamente o acesso aos medicamentos”.