Nos Estados Unidos, os campeonatos de surf para cães atraem milhares de pessoas Mike Blake/Reuters
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Nos Estados Unidos, os campeonatos de surf para cães atraem milhares de pessoas Mike Blake/Reuters

Há um campeonato de surf para cães na Ericeira

Valor angariado com as inscrições no 1.º Campeonato Nacional de Surf para Cães, na Ericeira, reverte a favor de uma associação de protecção de animais

Que ninguém se iluda: os cães não sabem surfar, pelo menos não como os humanos. Não há nenhum Garrett McNamara no mundo canino, mas há cães que gostam mais de água e pranchas de surf do que outros. Para esses, decorre no sábado o 1.º Campeonato Nacional de Surf para Cães, na praia do Matadouro, na Ericeira.


A iniciativa é inédita em Portugal mas nos Estados Unidos, por exemplo, atrai milhares de pessoas. Tudo por uma boa causa, explica Ana Valente, proprietária da Trendypaws, uma empresa de coleiras com localizador que organiza a iniciativa. “O valor das inscrições reverte totalmente a favor de uma associação de protecção de animais, escolhida pelo júri e sorteada no final da prova”, afirma.

O objectivo solidário do evento é mais um pretexto para um dia bem passado à beira-mar. O “cãopeonato” começa ao início da tarde, às 14h, mas antes há uma selecção dos concorrentes, porque nem todos podem surfar. As inscrições estão abertas a cães entre os dez meses e os dez anos e estão vedadas a cães de raça potencialmente perigosa, por um motivo: “a lei exige que usem açaime, o que é incompatível com esta actividade”, ressalva Ana Valente.

Avaliação prévia 

O programa começa por volta das 9h30. A ideia é que cães e donos se apresentem até às 12h30 para avaliação, que será feita por um especialista em educação canina. Só os animais que passarem nesse primeiro teste podem concorrer (e portanto só esses pagam a inscrição no campeonato, no valor de 10 euros).

“O objectivo é perceber se o cão tem medo ou se brinca na água sem problemas e se consegue subir para a prancha”, refere, sublinhando que a ideia não é ter “animais assustados nem em stress”.


Aos donos, aconselha-se que treinem o animal previamente. Não falta informação online sobre como treinar cães surfistas, mas a organizadora dá algumas dicas. Primeiro, o cão tem de ser treinado em casa a ir para cima da prancha. “Podem experimentar alimentá-lo em cima da prancha para ele associar aquele local a uma coisa boa”, sugere. Depois é preciso ver se consegue fazer o mesmo à beira-mar, na zona da rebentação.


Durante a prova, dentro de água estarão monitores de surf da escola do surfista Tiago Pires, um dos melhores do mundo. O cão só entra na água de colete salva-vidas vestido e acompanhado pelo dono, que deverá estar sempre por perto. Outro monitor vai estar a indicar as ondas para cada cão surfar.


O evento já tem duas dezenas de inscritos mas a organização espera que apareçam muitos mais no dia da prova. Para o dono do cão mais à vontade na água em cima da prancha está reservado o primeiro prémio: uma máquina fotográfica GoPro, uma coleira Trendypaws e ração. O segundo classificado recebe, em vez da máquina, uma prancha de surf, e o terceiro terá uma aula de surf na escola de Tiago Pires, na Ericeira.


Se a moda pegar, Ana Valente quer organizar o evento anualmente e até fazer uma edição no Norte do país.