Ataque de drone americano mata número dois dos taliban paquistaneses

Foi o primeiro ataque com estes aparelhos depois das eleiçõe slegislativas e Nawaz Sharif disse que os americanos estão a violar a soberania do país.

Sharif advertiu os Estados Unidos
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Sharif advertiu os Estados Unidos Mohsin Raza/Reuters

Um drone americano matou ontem o número dois dos taliban paquistaneses, Wali-ur-Rehman. Mais quatro pessoas morreram no ataque que o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Paquistão considerou, em comunicado, um "atentado à soberania do país".

"Qualquer ataque de drone constitui um atentado à integridade territorial e à soberania do Paquistão e condenamos isso", disse uma fonte oficial paquistanesa à Reuters, pedindo anonimato.
 

O ataque do drone, um aparelho telecomandando a grande distância, teve lugar na região noroeste, junto à fronteira com o Afeganistão e base das operações dos taliban, os Tehreek-e-Taliban Pakistan. Wali-ur-Rehman era considerada a figura que iria suceder ao líder taliban paquistanês, Hakimullah Mehsud. Os serviços secretos de Islamabad colocam a hipótese de este ter morrido num outro ataque de drone.
 

"Este é um grande golpe para os militantes [taliban] e uma vitória para quem os combate", disse à Reuters uma fonte paquistanesa que não quis ser identificada.

O porta-voz dos taliban paquistaneses, Ihsanullah Ihsan, disse à que ainda não tinha "informações confirmadas" sobre a morte de Wali-ur-Rehman. Fontes das forças de segurança e outras das tribos pashtun do noroeste disseram que o drone disparou dois mísseis que atingiram uma casa em Chashma, junto à cidade de Miranshah.

"É muito peculiar que os taliban ainda não tenham confirmado ou desmentido a notícia", disse à Reuters Saleem Safi, um analista paquistanês perito no tema Taliban. "A ser verdade, o exército paquistanês tem que agradecer aos Estados Unidos".
 

Não foi, porém, o que se passou. E o Ministério dos Negócios Estrangeiros denunciou este ataque num comunicado: "O Governo tem dito constantemente que estes ataques com drones são contra-produtivos, provocam a morte de civis, tem implicações humanitárias e de direitos humanos e violam os princípios da soberania nacional, a integridade territorial e o Direito internacional".

Este foi o primeiro ataque com este tipo de aparelhos telecomandados depois das eleições legislativas paquistanesas de 11 de Maio, ganhas pela Liga Muçulmana de Nawaz Sharif . Durante a campanha, este pôs em causa a aliança com os americanos na guerra contra o terrorismo e o recurso aos drones.
 

Nawaz Sharif, que toma posse como primeiro-ministro na primeira semana de Junho, disse durante a campanha eleitoral que os ataques dos drones são uma ameaça à soberania do Paquistão e advertiu o governo americano para começar a levar a sério as opiniões dos paquistaneses.

De acordo com a organização britânica Bureau of Investigative Journalism, os drones americanos mataram, desde 2004, 3587 pessoas, 884 delas civis. O Presidente dos EUA, Barack Obama, fez na semana passada um discurso defendendo o uso de drones mas com maior cautela.

O antigo jogador de críquete e agora político, Imran Khan, cujo partido, Movimento para a Justiça, ganhou as eleições no noroeste e governará a instável região (além dos taliban e dos atentados constantes que fazem, é uma zona de tribos de interesses conflituosos) acusou Obama de ter faltado à palavra que dera há tão poucos dias. Khan iniciou negociações com os taliban com o objectivo de chegar a um acordo de cessar-fogo.
 
Notícia actalizada: número oficial de mortos passou de sete para quatro.