Gaspar: Portugal negociou mal o primeiro memorando com a troika

Ministro das Finanças diz que o PS “fragilizou o país”, os socialistas acusam Gaspar de querer encontrar “um bode expiatório”.

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Vítor Gaspar pede um consenso sobre a reforma fiscal Nuno Ferreira Santos

Num confronto de posições entre Governo e PS, o ministro das Finanças defendeu que o então Governo socialista “negou a possibilidade de resgate até ao último momento” e que esse facto “fragilizou o país”.

Gaspar salientou como exemplo da má negociação a taxa de juro dos empréstimos iniciais e o plano de pagamento da dívida que estava muito concentrado nos anos de 2016 e 2021.

Na sua resposta, o PS, pela voz do deputado Fernando Medina, disse que, agora, “a única coisa que interessa ao Governo é arranjar um bode expiatório” e considerou que o executivo “já não está a tratar do país, está a tratar da narrativa da sua saída”.

Vieira da Silva, presidente da comissão, a finalizar o debate, ainda fez questão de expor a sua opinião sobre a matéria, lembrando que a questão da negociação com a troika “não pode ser desligada das condições do país na altura, nomeadamente o facto de ter sido rejeitado pelos partidos da oposição um acordo que era apoiado pelo Conselho Europeu”.

Gaspar pede ao PS posição sobre IRC
O ministro das Finanças pediu ao PS que apresente a sua posição em relação à reforma do IRC de forma a encontrar um consenso com o Governo nesta matéria.

Até Junho, um grupo de trabalho nomeado pelo executivo está a preparar uma reforma do regime de IRC. Vítor Gaspar defendeu que “é necessária uma consensualização nesta matéria” para que se garanta, para o futuro, “uma estabilização das expectativas dos investidores”.

“É importante sabermos quais as posições do PS sobre esta questão, como é que o PS concebe uma reforma do IRC, porque a estabilidade fiscal é fundamental.”