À sexta tentativa, o Vitória fez história na Taça de Portugal

À sexta tentativa, o Vitória venceu o troféu, à custa de um Benfica que falhou em todas as frentes na recta final.

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Francisco Leong/AFP

Foram precisas seis tentativas, mas o Vitória de Guimarães venceu finalmente uma Taça de Portugal, que passa a ser o maior troféu do palmarés deste histórico do futebol nacional. Na final frente ao Benfica, os minhotos estiveram a perder até dez minutos dos 90, quando partiram para uma emocionante reviravolta no marcador, acabando por vencer, por 2-1. Desta vez, o pesadelo “encarnado” não chegou ao segundo minuto dos descontos, como aconteceu frente ao FC Porto, para o campeonato, e diante do Chelsea, na final da Liga Europa, em Amesterdão, mas o desfecho voltou a ser trágico para a equipa orientada por Jorge Jesus.

Quando, aos 69’, o técnico benfiquista, a vencer por 1-0 desde os 30’, trocou o ponta-de-lança Óscar Cardozo por Urreta, nem desconfiaria do que ainda estava para vir no vale do Jamor, em Oeiras. Um erro do guarda-redes Artur, aos 80’, resultaria no golo do empate de Soudani (que estaria em fora-de-jogo quando partiu para a bola) e, dois minutos depois, os milhares de adeptos “encarnados” nas bancadas engoliram em seco com o segundo golo dos vitorianos, apontado pelo jovem Ricardo, que irá rumar ao FC Porto na próxima temporada. 
Ainda sem o seu contrato renovado na Luz, o técnico do Benfica era a imagem do desalento quando soou o apito final do árbitro Jorge Sousa. E como tudo era diferente há apenas algumas semanas... Liderava o campeonato com quatro pontos de vantagem sobre os “dragões”, estava na final da Liga Europa e a final da Taça de Portugal surgia apenas como um capricho menor, para Jesus cumprir um sonho de criança e conquistar o troféu do Estádio Nacional. Uma época “de sonho” como a apelidou então o treinador. Neste domingo, perdeu a derradeira oportunidade de fazer a festa em 2012-13.

O jogo até começou bem para a equipa lisboeta, que, à passagem da meia hora, chegou à vantagem no marcador, de uma forma fortuita. Após um lance de grande perigo na área benfiquista, com um contra-ataque vimaranense a colocar cinco jogadores contra apenas dois do Benfica, acabando a bola desperdiçada na malha lateral, os “encarnados” foram bem mais felizes na área contrária. Um mau alívio de Kanu embateu no pé de Gaitán e entrou na baliza de Douglas.

O Benfica descansou em cima desta vantagem mínima, até porque o futebol algo confuso dos minhotos não representava grande ameaça para a área lisboeta, com excepção do já referido lance de contra-ataque. Esta realidade manteve-se na segunda metade, apesar de o Vitória ter reaparecido mais atrevido. Aos 77’, Rui Vitória mexeu na sua equipa, fazendo entrar no encontro Rafael Crivellaro. Uma alteração providencial, já que o médio brasileiro construiu o lance do golo do empate, três minutos depois. Interceptou o alívio rasteiro de Artur e lançou Soudani para o golo.

O empate apanhou totalmente desprevenido o Benfica, que perdeu fatidicamente a concentração nos instantes seguintes. Aos 82’, Ricardo fez uma diagonal e rematou, com a bola ainda a ser desviada por Luisão, traindo Artur. Estava confirmado o golpe de teatro na final.

Seguiu-se a debandada de centenas de adeptos “encarnados” do Jamor, ou não parecesse este um remake de anteriores “filmes de terror”. E um desentendimento no relvado entre Cardozo e André Almeida, com empurrões a Jorge Jesus à mistura. “O Óscar estava de cabeça perdida pela derrota. Foram momentos mais complicados para todos e tivemos de dizer-lhe que quando se perde, perdem todos. O Óscar ficou mais tranquilo e pediu desculpa ao colega”, explicaria o treinador das “águias”, no final da partida.

Depois de ter conquistado a Supertaça portuguesa em 1988, ao bater o FC Porto, num agregado de 2-0 (2-0 e 0-0), o Vitória alcançou o mais alto feito do seu historial. E numa temporada em que muito poucos acreditariam, face às dificuldades financeiras que o clube atravessa, tendo baixado significativamente o seu orçamento para o futebol profissional e apostado numa formação muito jovem e inexperiente. Ainda assim, manteve-se sempre no caminho que o levou à conquista da Taça de Portugal.