CGTP quer trabalhadores a protestar em feriado religioso suspenso

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, anunciou nova jornada de luta da central sindical para 30 de Maio.

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Trabalhadores e reformados nas ruas de Lisboa pediram demissão do Governo. PÚBLICO/José Sarmento Matos
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REUTERS/Jose Manuel Ribeiro
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AFP PHOTO/ FRANCISCO LEONG

Este novo protesto acontecerá alguns dias antes da greve da função pública, agendada para Junho, mas ainda sem dia marcado. A data foi escolhida por coincidir com o dia do Corpo de Deus, um dos quatro feriados suspensos pelo Governo.

Ainda a manifestação deste sábado não tinha terminado e a CGTP já anunciava uma “nova jornada de luta” para a próxima quinta-feira, dia 30 de Maio. A data foi escolhida por coincidir com o dia do Corpo de Deus, um dos quatro feriados suspensos pelo Governo.

“Convocamos uma grande jornada de luta em todos os locais de trabalho, contra o roubo dos feriados e para dizermos não ao trabalho gratuito”, disse Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, sem falar em qualquer paralisação.

A concentração organizada por esta unidade sindical levou neste sábado alguns milhares de trabalhadores e reformados à zona de Belém, em Lisboa, para exigir a demissão do Governo a Cavaco Silva. Arménio Carlos considerou que esta manifestação foi “uma das maiores jornadas de luta em Lisboa”. Contudo, ao contrário do previsto, os manifestantes não puderam reunir-se perto do Palácio de Belém, residência oficial do Presidente da República, e juntaram-se perto do Mosteiro dos Jerónimos.

“Mais do que salvar a coligação do Governo, como pretende o Presidente da República, estamos aqui a manifestar-nos para salvar o país de uma política que inferniza as nossas vidas e hipoteca o futuro colectivo da nação”, afirmou Arménio Carlos durante a sua intervenção. Aproveitou para censurar o líder do CDS-PP, Paulo Portas. “Afirma-se como defensor dos reformados, mas não nos esquecemos que foi o CDS que deu cobertura a medidas que atingem esta camada”, disse, indicando os cortes nos subsídios como exemplo. 

O aumento do número de horas de trabalho foi uma das principais críticas apontadas pela CGTP ao Governo. Também Ana Avoila, coordenadora da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, aludiu a esta medida e, que disse tratar-se de “um ataque baseado num argumento falacioso e hipócrita, que é o de uniformizar as condições de trabalho do sector público com o privado”.

“O palhaço está ali”
Muitos aproveitaram a deixa de Miguel Sousa Tavares (que, em entrevista ao Jornal de Negócios, chamou “palhaço” a Cavaco Silva) e envergaram narizes vermelhos durante o protesto. Um dos manifestantes, que não se quis identificar, garante que “os políticos participam todos neste circo”. E acrescenta, enquanto aponta para o Palácio de Belém, que “o palhaço está ali mais à frente”.

Aos manifestantes concentrados em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, juntaram-se três concentrações sindicais: a da Função Pública, a dos sindicatos dos distritos a sul do Tejo e a dos sindicatos do Norte. Os movimentos inter-sindicais dos jovens e dos reformados também estiveram presentes e a maioria abanava um lenço branco no ar “para dizer adeus ao Governo”.

“Queremos mandar este Governo para a rua porque só tem feito mal aos reformados, aos pensionistas e aos idosos”, explica António Mateus Dias, de 56 anos, membro do Movimento Nacional de Reformados Portugueses. Criada há dois anos, esta organização decidiu a esta manifestação e promete marcar presença em protestos futuros. “Vamos a todas as manifestações que forem feitas, vamos a todas as lutas que houver em Portugal.”

Idalina Costa, aposentada, assegura que também “vai a todas”. Tanto que veio de propósito de Gouveia, Guarda, para marcar presença nesta concentração. Só lamenta ver mais idosos que gente jovem. “Isto é a maneira de que temos de falar, de nos defendermos, mas acho que deviam estar aqui mais jovens”.

Notícia actualizada às 20h20