Estes designers criaram um "chat analógico" para unir gerações

O projecto “Chat Analógico” quer combater o afastamento entre gerações e a exclusão dos idosos

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Samuel Lemos, 29 anos, e Daniela Gapo, 27 anos, são os autores originais do Chat Analógico DR

A equipa do “Chat Analógico” é formada por dois designers e empreendedores sociais portugueses, Samuel Lemos e Daniela Gapo. Em 2010, levaram a iniciativa ao concurso “Action For Age 2”. Foram finalistas da prova e o projecto depressa recebeu acreditação e reconhecimento social.

O “Chat Analógico” viabiliza a comunicação intergeracional e assenta na comunicação postal. A ideia é criar grupos de correspondentes em escolas primárias e lares — grupos que, uma vez em contacto, vão conversar por postais ao longo do ano lectivo.

Tudo funciona por meio do “Kit Chat Analógico”, no valor de 250 euros, que é entregue nas instituições e é composto por todas as ferramentas necessárias para alavancar o processo de comunicação. Há ainda a possibilidade de adquirir um “Kit individual”, que custa 25 euros.

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O Chat Analógico promove o combate à exclusão dos idosos e ao afastamento das gerações DR

A dupla de criativos, cuja abordagem ao design incide na vertente emergente do design social, sempre acreditou na iniciativa e no seu “potencial papel transformador”. Mesmo que não estejam a desenhar “cadeiras e bonecos” (como seria suposto após terminar a licenciatura em Design do Produto), com este trabalho Samuel acredita que faz “pessoas felizes e isto é um privilégio que traz muita gratificação, enquanto pessoa e enquanto designer”.

Três anos de pesquisa

Em 2010, realizaram o primeiro piloto de teste que decorreu em Viana do Castelo durante seis meses. Neste primeiro teste participaram alunos do ensino superior com idosos residentes num lar. Depois houve um segundo teste, em 2011, que decorreu simultaneamente em Viana do Castelo e na Amadora e durou quatro meses.

Contudo, só no final de 2012 é que começaram a divulgar o projecto no Porto e a construir parcerias, com o objectivo de consolidar o “Chat Analógico” como negócio do terceiro sector. Segundo Samuel, o impacto resultante e o bem social inerente a esta iniciativa deve-se ao facto de “o ‘Chat Analógico’ potenciar o combate à exclusão sénior e a prática da escrita e estimular a empatia e o desenvolvimento de competências pessoais e sociais”.

A iniciativa está agora à procura de financiamento. Para tal Samuel e Daniela inscreveram o projecto numa plataforma de "crowdfunding" portuguesa. A campanha arrancou a 11 de Maio e até à data conseguiram 180 euros. No total os dois empreendedores sociais precisam de atingir os 2000 euros, até ao dia 31 de Julho, caso contrário todos os apoios serão devolvidos a quem contribuiu.