No primeiro trimestre de 2013 as vendas de livros foram idênticas às do mesmo período do ano passado

A 83ª edição da Feira do Livro de Lisboa abre ao público na quinta-feira.

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Feira do Livro de Lisboa Joana Freitas

Os valores das vendas de livros no primeiro trimestre deste ano “são idênticas” às de período análogo do ano passado, disse à Lusa o vice-presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), Pedro Pereira da Silva, a propósito da abertura da 83.ª Feira do Livro de Livro, de Lisboa, marcada para quinta-feira, no Parque Eduardo VII.

O responsável acrescentou que o mercado dos livros digitais (e-books) em Portugal não é ainda significativo. “Os livros digitais têm ainda um mercado muito, muito reduzido. Há muita gente a aderir. Mas não tanto que faça uma diferença relativamente ao livro físico [em papel]”, cujas vendas têm tido quebras, “não por esta via, mas por outras razões, que têm mais a ver com o poder de compra”, disse Pereira da Silva.

Sobre os dados das vendas, o responsável citou um estudo da consultora GfK Portugal, a mesma que, no ano passado, no I Congresso do Livro, realizado na ilha Terceira, revelou que, no primeiro semestre de 2011, os portugueses compraram menos livros do que no mesmo período de 2010. Uma descida no consumo na ordem dos três por cento.

Pedro Pereira da Silva afirmou que “tem havido uma quebra média do preço do livro”, desde o ano passado. Segundo o responsável, “as editoras, distribuidores e livrarias têm feito um esforço para que o livro se torne mais acessível”.

O vice-presidente da APEL afirmou que se têm feito “promoções, acções de divulgação e os próprios editores colocam o livro a um preço mais acessível”, o que permite que “haja uma compensação do lado da procura”.

A consultora GfK Portugal confirmou que se regista uma variação nula entre o primeiro trimestre deste ano e o período homólogo de 2012. “Monitorizámos 3,03 milhões de livros vendidos, o que equivale a uma facturação de 31,82 milhões de euros”, explica a GfK Portugal. A análise, esclarece a consultora, incide apenas no mercado não escolar, com uma cobertura estimada entre os 75% e os 80% deste segmento.

Questionado pela Lusa sobre o impacto da adopção do Acordo Ortográfico nas exportações de livros, Pereira da Silva afirmou que “não há dados que permitam afirmar se sim ou o contrário”, ou seja, se há ou não crescimento das vendas.

“Não há na APEL referência de aumentos ou quebras nas vendas”, disse, acrescentando que “cada editor tem o seu momento” para decidir entrar nos mercados.

A feira conta com um auditório de 80 lugares, onde irão decorrer várias conferências, e 241 pavilhões, mais três que no ano passado, estando representadas 480 editoras e chancelas, “o que também representa uma subida” em relação a anos anteriores.

Nesta 83.ª Feira do Livro de Lisboa, até ao dia 10 de Junho , a APEL espera “vendas superiores às de 2012”, e bater o recorde de visitantes, ultrapassando o meio milhão. Para alcançar estes objectivos, a APEL conta com “melhores condições climatéricas”, “um programa de atividades muito forte”.

“Há um grande entusiasmo”, assegurou o responsável da APEL. No ano passado, 450.000 pessoas visitaram a feira. Pereira da Silva afirmou que “muitas pessoas esperam pela Feira para vir ao parque, outros vão só para passear, mas há sempre um livro que lhes ‘pisca o olho’, e acabam por comprar”. “A Feira vai ser compensadora para os editores”, rematou Pedro Pereira da Silva.

Pela primeira vez, a Feira do Livro de Lisboa conta com um grupo de 30 voluntários, escolhidos entre as 120 candidaturas entradas na APEL. Estes voluntários “vão ajudar as pessoas que não se orientam no espaço, na mobilidade de pessoas com dificuldades e vão participar na organização, desde sessões de autógrafos às de apresentação dos livros, ou nas conferências previstas”.


O responsável da APEL realçou duas sessões a realizar no âmbito da Conferência Literária de Edimburgo, graças à parceria com o British Council. “Literatura pode ter carácter político” e “Romance. Qual é o seu futuro?” são os títulos das duas conferências que contarão com a participação, entre outros, dos autores João Tordo e José Rodrigues dos Santos, e de escritores estrangeiros. Outra parceria é com as Noites da Literatura Europeia, que acontecem pela primeira vez, este ano, em Lisboa. 

A aposta no público infanto-juvenil “é reforçada”, estando previstas “várias actividades”, “várias visitas de escolas” e, no dia 1 de Junho, Dia Mundial da Criança, haverá “um programa intensíssimo”. No total estão previstas “mais de 600 actividades” na feira, procurando “uma forte dinamização” e com um aproveitamento das noites que “prometem ser quentes”. Por exemplo, o espaço infanto-juvenil, à noite, terá a “hora do conto”.

A feira conta com um auditório de 80 lugares, onde irão decorrer várias conferências, e 241 pavilhões, mais três que no ano passado, estando representadas 480 editoras e chancelas, “o que também representa uma subida” em relação a anos anteriores. O programa da Feira pode ser consultado em www.feiradolivrodelisboa.pt.

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