Vodafone perde 150 milhões de receitas e 175 mil clientes em Portugal

Grupo britânico justifica resultados com situação económica do país.

Recuo nas receitas foi muito mais acentuado nos países do sul da Europa
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Vodafone começou a desenvolver a rede de fibra óptica em 2010 AFP PHOTO/CARL DE SOUZA

A Vodafone registou uma redução de 11,6% nas receitas geradas em Portugal, o que significou uma perda líquida de 124 milhões de libras (cerca de 146,3 milhões de euros). De acordo com dados divulgados nesta terça-feira pelo grupo britânico relativos ao exercício que terminou a 31 de Março, o volume de negócios no país fixou-se em 941 milhões de libras (1110 milhões de euros), comparando com os 1065 milhões de libras (1256 milhões de euros) do ano anterior.

Os resultados obtidos em Portugal estão em sintonia com o desempenho das contas globais da Vodafone, embora a queda das receitas totais do grupo tenha sido menos forte: 4,2% para 44.445 milhões de libras (o equivalente a 52.430 milhões de euros).

O recuo sentido no mercado nacional enquadra-se numa tendência generalizada no sul da Europa, que o operador de origem britânica destaca no relatório divulgado nesta terça-feira, referindo-se à região como responsável pelos “ventos contrários” que penalizaram os resultados do último exercício, por continuar mergulhada em “condições económicas adversas”.

De entre os países do sul, Portugal foi o que registou o abrandamento menos acentuado. Em Espanha, a queda nas receitas foi de 18% para 3904 milhões de libras (4600 milhões de euros) e na Itália o recuo foi de 16% para 4755 milhões de libras (5603 milhões de euros).

Em termos de lucros, a Vodafone conseguiu aumentar residualmente os resultados, alcançando 11.960 milhões de libras (14.094 milhões de euros). Uma subida que o grupo atribui, em grande parte, à Verizon Wireless. A empresa, detida em 45% pelo operador britânico, contribuiu com 6400 milhões de libras (7544 milhões de euros) para os ganhos, o que correspondeu a um aumento homólogo de 30,5%.

Já em Portugal, os lucros caíram quase 30%, acompanhando o ritmo de queda nas receitas. O resultado líquido da Vodafone em território nacional fixou-se em 190 milhões de libras (223,9 milhões de euros), depois de ter alcançando 267 milhões de libras (314.6 milhões de euros). No sul da Europa, a tendência foi a mesma: os ganhos desceram 32,3% para 1802 milhões de libras (2123 milhões de euros).

No que diz respeito ao número de clientes, a região também protagonizou uma descida acentuada, com o grupo a registar uma perda de 829 mil utilizadores neste mercado. Destes, 175 mil pertenciam a Portugal. Pelo contrário, os resultados globais do grupo mostram um acréscimo de 893 mil clientes, tendo este acréscimo sido suportado em grande parte pelo desempenho da Índia, que protagonizou 4878 mil novas fidelizações.

A situação económica que os países do sul da Europa enfrentam e, em particular, Portugal tem sido um dos principais argumentos das operadoras de telecomunicações para justificar o abrandamento que se tem verificado nas contas do sector.

A par da Vodafone, também a Portugal Telecom, a Sonaecom e a Zon têm sido afectadas pela crise que o país atravessa. No caso da primeira empresa nacional, os resultados de 2012 revelaram uma descida de 6,7% na facturação (que sobe para 8,1% quando analisado apenas o negócio do grupo no país). Já a Sonaecom (dona da Optimus) registou uma queda 1,9%, no primeiro trimestre de 2013. A Zon conseguiu escapar ao recuo nas receitas, que aumentaram uns ligeiros 0,1% nos primeiros três meses deste ano.

Nos últimos meses, as empresas que operam em Portugal têm vindo a apostar em novas ofertas para estancar a perda de clientes e o abrandamento no consumo. Os produtos integrados, designados por quadriplay, têm sido a aposta, também para fazer face à revolução que o mercado vai sofrer com a fusão entre a Optimus e a Zon, que aguarda apenas por luz verde da Autoridade da Concorrência.

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