Mário Soares foi o primeiro a deixar o Conselho de Estado

Antigo Presidente da República saiu da reunião às 19h40, “só” porque está doente e não quis revelar pormenores.

O antigo Presidente da República Mário Soares foi o primeiro conselheiro a deixar a reunião do Conselho de Estado, pelas 19h40, alegando razões de saúde.

“Como sabem, eu tenho que sair mais cedo destas reuniões, porque estou doente e só por isso”, afirmou Mário Soares aos jornalistas que o questionaram insistentemente sobre a reunião. É já costume que o antigo chefe de Estado saia sempre mais cedo, pouco antes da hora de jantar.

O histórico socialista recusou revelar o que se tem passado desde as 17h10 na sala do palácio de Belém onde Cavaco Silva está reunido com 18 conselheiros – faltou apenas o presidente do Governo regional dos Açores. “Não se diz o que se passou no Conselho de Estado e eu não infrinjo essa regra”, respondeu.

Acrescentou apenas ter sido “o último a falar até agora”, especificando que “já todos usaram da palavra”. Mas o encontro, que nunca tem hora para acabar, parece estar ainda para durar atendendo a que Mário Soares também disse que “estamos ainda no começo”.

A reunião do Conselho de Estado foi convocada no dia 13 por Cavaco Silva para discutir as "perspectivas da economia portuguesa no pós-troika, no quadro de uma união económica e monetária efectiva e aprofundada". O Presidente disse que queria ouvir a “reflexão dos conselheiros sobre matérias de relevância clara” à medida que se aproxima o fim do programa de assistência financeira, mas também para “obter indicações para a posição portuguesa a ser defendida pelo Governo português no Conselho Europeu do mês de Junho”.

Ora, logo no dia seguinte, Mário Soares deixou claro que preferia discutir outros temas naquela que é considerada a reunião de mais alto nível do Estado. “Eu gostaria mais de discutir a situação do país do que a situação da troika, mas não sou responsável [pela agenda]”, afirmou então o antigo Presidente da República. Na ocasião, Soares voltou a afirmar que a coligação governamental “continua em perigo” e que o ministro Paulo Portas “foi humilhado várias vezes” desde que está no Governo, a última das quais nesta questão das alterações às regras de cálculo das pensões.

À frente do palácio de Belém continua a concentração convocada pelo movimento Que Se Lixe a Troika, que faz barulho com tachos, tampas e apitos. Há cartazes e faixas, música e gritos de protesto. Mas é uma pequena manifestação quando comparada com a do final de Setembro, por altura do Conselho de Estado, quando houve arremesso de petardos e acabaram por ser detidas cinco pessoas.

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