BPI desmente Financial Times

Jornal publicou informação, que atribui a uma fonte do banco, de que houve depositantes a transferir dinheiro para cofres, com receio da taxa aplicada aos depósitos de Chipre.

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O BPI veio esclarecer que não prestou “quaisquer declarações” ao jornal Financial Times (FT) e classifica de "falsas" as informações divulgadas no domingo, na edição online do jornal britânico, de que houve, na sequência do resgate a Chipre, uma transferência de depósitos para os cofres do banco.

Já Nuno Amado, do BCP, e Ricardo Salgado, do BES, esclarecem que as declarações ao jornal britânico foram efectuadas no final de Abril, quando o editor de banca, Patrick Jenkins, esteve em Portugal.

Num artigo que também é publicado na versão papel nesta segunda-feira, com o título “Bancos portugueses temem 'vírus de Chipre'", o FT cita uma fonte próxima do BPI que terá revelado que houve clientes a querer movimentar dinheiro de depósitos para os cofres: “A maior parte dos clientes em Portugal não confia nas garantias dos depósitos e não tem meios para abrir contas no estrangeiro. Prefere cofres, em vez disso.”

O PÚBLICO inquiriu o grupo liderado por Fernando Ulrich sobre esta informação, tendo o porta-voz da instituição declarado: “O Financial Times não falou nunca com o BPI, o BPI não fez quaisquer declarações ao Financial Times e o conteúdo da informação que este reproduz sobre o BPI é falso”.

O FT cita ainda Nuno Amado, presidente do BCP, que reconhece que, na sequência do plano aprovado para Chipre, houve “imenso nervosismo” em Portugal e admite “a eventual propagação de um vírus de Chipre".

"Se alguém tivesse desenhado um plano para danificar o mercado europeu, teria sido difícil pensar em algo melhor do que a solução aplicada em Chipre", adiantou ao FT o CEO do BCP.

Nuno Amado explicou ao PÚBLICO que falou com o FT no final de Abril, altura em que comentou a decisão inicial europeia de “taxar” todos os depósitos, mesmo os de valor inferior a 100 mil euros no resgate a Chipre. “A medida foi entretanto corrigida e registou-se uma acalmia na situação”, observou.

Também Ricardo Salgado, do BES, prestou declarações ao FT na mesma altura, no final de Abril, quando considerou que “os líderes [políticos] precisam de moderar a sua linguagem”, uma vez que “isto pode ser muito mau”. O FT revela ainda que também Salgado terá admitido ter existido transferência de fundos de depósitos para os cofres.

Os dois banqueiros falaram com Patrick Jenkins, editor bancário do Financial Times [desde Junho de 2009], quando o britânico esteve em Portugal para participar nas conferências do Estoril. E dias depois de o Parlamento alemão ter aprovado o resgate financeiro a Chipre – uma ajuda de dez mil milhões de euros por parte da troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) que teve como contrapartida um corte nos depósitos acima de 100 mil euros.   

Já este mês, no quadro de uma reunião do Ecofin, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, assegurou que não existiriam mexidas nos depósitos abaixo dos 100 mil euros, que são “sagrados”. Gaspar explicou que os depositantes de valores inferiores a 100 mil euros não serão chamados a participar no resgate a bancos e os de montantes mais elevados só serão afectados como “último recurso”, mas “a possibilidade de existência de perdas não é peremptoriamente excluída”.
 
 
 

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