Antigo presidente da Caja Madrid paga fiança e deixa cadeia

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Miguel Blesa pagou fiança de 2,5 milhões de euros Sergio Perez / Reuters

Miguel Blesa foi detido na noite de quinta-feira sob acusação de delito societário e falsificação de documentos

O ex-presidente da Caja Madrid, Miguel Blesa, foi libertado, ao final da tarde de ontem, da prisão Soto del Real, menos de 24 horas depois de ter sido detido sob a acusação de delito societário, falsificação de documento público e apropriação indevida. O banqueiro saiu depois de pagar uma fiança de 2,5 milhões de euros que lhe tinha sido decretada pelo juiz titular do processo, que alegou perigo de fuga e de destruição de documentos.

Perto da meia-noite do dia anterior, Blesa tinha-se tornado no segundo banqueiro espanhol a ser colocado atrás das grades. O primeiro fora Mário Conde, detido há duas décadas e, posteriormente, condenado a 20 anos de prisão por delito financeiro e gestão bancária irregular.

Blesa dirigiu durante mais de uma década uma das instituições financeiras que pediram ajuda do Estado para evitar a bancarrota. Amigo próximo do antigo chefe do Governo José Maria Aznar, esteve à frente da instituição madrilena entre 1997 e 2010, mas remonta a 2008 o facto que está na origem da detenção de anteontem: a compra do City National Bank, da Florida, realizada quando estava a rebentar a crise do subprime nos Estados Unidos, e que o juiz Elpidio Jose Silva considerou "aberrante" e portadora de "indícios de criminalidade".

Esta aquisição esteve na origem dos problemas que a Caja Madrid enfrentou a partir daí. O banco da Florida foi comprado por 754 milhões de euros (valor de 2008), mas em duas operações separadas por um ano. O objectivo foi nunca ultrapassar o valor de investimento a partir do qual a Caja tinha que pedir autorização ao governo da comunidade madrilena, seu accionista.

A decisão do juiz, tomada com base num relatório do próprio Banco de Espanha, considera que "a conduta do imputado terá provocado danos e prejuízos económicos severos à entidade que presidia".

A Caja Madrid é apenas uma das caixas de aforro de base regional que enfrentam problemas e que obrigaram o Estado espanhol a pedir ajuda externa. Na Justiça, correm, actualmente, nove processos que poderão ditar novas prisões de banqueiros, alertava ontem o jornal El País.

O caso mais mediático é o do Bankia, entidade criada a partir da fusão de algumas dezenas de Cajas, que teve de recorrer a uma injecção maciça de apoios estatais. Há uma acção contra 33 ex-responsáveis da instituição, entre eles o ex-presidente Rodrigo Rato, que foi ministro de Espanha e director-geral do FMI.