Nuno Júdice ganha Prémio Reina Sofia de Poesia

Autor de A Noção de Poema é o segundo português - dez anos depois de Sophia - a ganhar este prémio ibero--americano

Nuno Júdice ganhou ontem o Prémio Reina Sofia de Poesia Ibero-Americana, tornando-se, aos 64 anos, o segundo escritor português, depois de Sophia de Mello Breyner Andresen (em 2003), a ser contemplado com este galardão, que tem um valor pecuniário de 42.100 euros e se destina a reconhecer a importância da obra de um autor vivo para a cultura ibero-americana.

Em declarações à agência Lusa, Júdice sublinhou que este prémio "mostra que a poesia portuguesa continua a ter um papel importante" no contexto ibero-americano. Portugal teve apenas dois premiados desde que o prémio foi lançado em 1992, mas, descontando a própria Espanha, só o Chile, com Gonzalo Rojas e Nicanor Parra, repetiu também a distinção. Antes de Sophia e Júdice, a língua portuguesa já fora premiada, em 1994, através do brasileiro João Cabral de Melo Neto.

Atribuído pela Universidade de Salamanca e pelo Património Nacional espanhol, o prémio envolveu um júri de 18 elementos. Um deles, o poeta Jaime Siles, considerou que a poesia de Júdice é "muito trabalhada, de um classicismo depurado", mas mantém "um grande compromisso com a realidade". Caracterizando-o como "um poeta completamente europeu", Siles acrescenta que o autor português é muito crítico das "disfunções sociais", dando como exemplo disso mesmo a sua última novela, A Implosão, que aborda a crise dos países do Sul da Europa.

Numa extensa notícia dedicada ontem ao mais recente galardoado com o Prémio Reina Sofia, o jornal espanhol El País considera Júdice "o poeta mais influente de Portugal e um dos mais prolíficos da Europa". Revelado em livro em 1972, quando publicou A Noção de Poema, Júdice é hoje autor de cerca de 30 livros de poemas, uma dúzia de volumes de ficção, várias peças de teatro e um bom número de obras ensaísticas. Organizou ainda diversas antologias, incluindo a recente Um País Que Sonha - Cem Anos de Poesia Colombiana (Assírio & Alvim, 2012).