Novo director do Palácio da Ajuda quer pô-lo no ranking europeu que merece

José Alberto Ribeiro, que há sete anos dirigia a Casa-Museu Anastácio Gonçalves, chega esta sexta-feira à Ajuda. E com muitos projectos na cabeça.

Uma das salas do palácio, com um retrato de Maria Pia em destaque
Foto
Uma das salas do palácio, com um retrato de Maria Pia em destaque Pedro Cunha/Arquivo

José Alberto Ribeiro, até aqui coordenador da Casa-Museu Anastácio Gonçalves, em Lisboa, é o novo director do Palácio Nacional da Ajuda. Segundo um breve comunicado da Direcção-Geral do Património Cultural, entidade que tutela os monumentos e museus, o investigador de 41 anos tem todos os “conhecimentos e experiência profissional” necessários ao cargo que nas últimas três décadas foi ocupado por Isabel Silveira Godinho.

Licenciado e mestre em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, instituição onde está a concluir um doutoramento sobre a rainha D. Amélia de Orleães, figura a que acaba de dedicar uma biografia na Esfera dos Livros, José Alberto Ribeiro chega já esta sexta-feira à Ajuda para conhecer a equipa.

Os próximos dias serão de transição, entre a Casa Anastácio Gonçalves e a dos reis, explica ao PÚBLICO pelo telefone, enquanto ultima as actividades para o Dia Internacional dos Museus, que se festeja no sábado (a casa-museu terá, entre outras iniciativas, uma exposição de fotografia de André Gomes inspirada na obra de Stéphane Mallarmé A Tarde dum Fauno).

“Só no final da próxima semana estarei a 100% na Ajuda”, diz, enumerando como prioridade as reuniões com os técnicos do palácio, muitos dos quais já conhece, para saber “quem faz o quê e como”.

José Alberto Ribeiro, que tem vindo a aprofundar a sua investigação sobre os membros da Casa Real Portuguesa e as suas práticas culturais e artísticas nos séculos XIX e XX, tem já muitos projectos para o palácio onde foi educado o marido da “sua” D. Amélia, o rei D. Carlos.

“É um desafio grande, mas muito aliciante porque as colecções da Ajuda, para além de riquíssimas, são muito diversificadas. Não devemos pensar só em jóias da coroa quando pensamos no palácio – há o mobiliário, a pinturas, a biblioteca… É um universo quase infinito.”

Um universo que, na sua opinião, não é reconhecido como merece. “É uma casa cheia de potencialidades e, mesmo com todos os contratempos que hoje enfrentamos, pode ser muito mais do que é.”

José Alberto Ribeiro quer cativar mais públicos, mas também os académicos, fora e dentro do país. “A Ajuda tem de se abrir mais aos investigadores, organizar congressos, fazer exposições, tirar o máximo partido do seu carácter de excepcionalidade que se baseia, por exemplo, no facto de se ter mantido praticamente inalterada, ao contrário dos palácios da Pena, da Vila ou de Queluz, que foram muito mexidos no interior ou nos acervos.” O investigador quer pôr “a Ajuda no ranking europeu que lhe é devido, como casa de reis”, que tem ainda “muitos tesouros escondidos”.

Para tal, José Alberto Ribeiro diz que é preciso divulgar mais e melhor as colecções. O projecto para a exposição permanente das jóias da coroa, já anunciado pela directora-geral do Património, Isabel Cordeiro, é um dos passos decisivos na conquista de públicos. “É preciso que os lisboetas e as pessoas que visitam a cidade criem uma relação afectiva com aquele espaço, que sintam que é seu, que é nosso, e que deve ser visto por todos.”