Mais de um quarto dos portugueses sem meios para manter a casa aquecida

Número de famílias cresceu 11% numa década, mas os agregados estão mais pequenos. INE traça retrato da evolução das famílias portuguesas e das principais dificuldades que atravessam.

As famílias monoparentais portuguesas têm 27,9% de risco de pobreza
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As famílias monoparentais portuguesas têm 27,9% de risco de pobreza Paulo Pimenta

Mais de um quarto dos portugueses (26,8%) não tinham, em 2011, capacidade para garantir o aquecimento adequado da casa e 3,1% não tinham possibilidade de fazer uma refeição de peixe ou carne pelo menos de dois em dois dias, revelam dados dos Censos de 2011 destacados nesta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Para assinalar o Dia Internacional da Família, que se celebra na quarta-feira, o INE traçou um perfil das principais mudanças nos agregados familiares entre 2001 e 2011, com especial enfoque nos riscos económicos que as famílias enfrentam.

De acordo com os dados do INE, quanto mais numerosos forem os agregados familiares, maior é a taxa de privação material. Por exemplo, em 2011, 24,3% dos agregados em privação material severa eram constituídos por dois adultos e três ou mais crianças. A capacidade de aquecimento das habitações e a possibilidade de ingerir frequentemente refeições com proteína são dois dos indicadores usados para medir a taxa de privação material das famílias.

Os idosos constituem a maioria dos agregados familiares unipessoais e são, aliás, um dos tipos de família que correm maior risco de pobreza. Os dados divulgados revelam que pessoas idosas (com 65 ou mais anos) a morar sozinhas têm 28% de risco de pobreza. O risco sobe para 30,1% se falarmos de mulheres que moram sós.

Outro grupo “particularmente afectado pelo risco de pobreza” são as famílias monoparentais, um tipo de agregado que é maioritariamente feminino. Os últimos Censos indicam que 86,7% das famílias monoparentais eram constituídas por mulheres com filhos. 

Mais famílias, mais pequenas

Comparativamente com 2001, Portugal tinha, em 2011, mais 11% de famílias. Contudo, os agregados familiares foram-se tornando mais pequenos. De acordo com o INE, esta evolução é “uma consequência do aumento das famílias unipessoais e da redução do número de famílias numerosas”.

A tendência de decréscimo do número de pessoas por família já vem de antes: nos últimos 30 anos, as famílias portuguesas perderam, em média, uma pessoa. O número de casais sem filhos aumentou 4% e o número de casais só com um filho subiu de 53,5% para 58,4%.

Os núcleos familiares reconstituídos – aqueles em que há pelo menos um filho que não é comum aos dois membros do casal – mais do que duplicaram entre 2001 e 2011. Dentro destes agregados, quase 60% são casais em união de facto, o que aponta também para uma tendência de aumento deste tipo de conjugalidade. 

O principal objectivo da divulgação destes dados é, de acordo com o INE, o de chamar a atenção para “a importância da família como núcleo vital da sociedade e para os seus direitos e responsabilidades”.