Jornalistas consideram que fusão de redacções ameaça autonomia da RDP

Tanto os jornalistas da rádio como os da televisão já informaram a administração que rejeitam a ordem de serviço que obriga à agregação de várias editorias entre os dois serviços.

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A larga maioria dos jornalistas da RDP considerou, em referendo, que a fusão da sua redacção com a da RTP ameaça a autonomia editorial da rádio e reduz a diversidade de informação no serviço público. Além disso, consideram que esta intenção da administração e das direcções de informação e prejudica a sua prestação profissional enquanto jornalistas do serviço público de rádio.

As três perguntas foram colocadas aos jornalistas num referendo interno decidido na passada semana em plenário. O referendo teve uma participação de 76%. Do universo de 120 jornalistas votaram 91 e registou-se apenas um voto nulo. O referendo foi realizado nas redacções de Lisboa, Porto, Coimbra, Faro e houve correspondentes em zonas sem redacção que enviaram o seu voto.

À pergunta sobre se a fusão de redacções e editorias, que faz com que os jornalistas da rádio trabalhem também para a televisão, prejudica a sua prestação profissional enquanto jornalista do serviço público de rádio, 76,6% disseram sim, 18,8% responderam não. Questionados sobre se essa situação ameaça a autonomia editorial da rádio, 88,8% disseram que sim e 10% não. Por último, à pergunta sobre se a mudança reduz a diversidade de informação nos serviços públicos de rádio e de televisão, 83,8% responderam afirmativamente e 14,4% disseram que não. Os membros eleitos do Conselho de Redacção (CR) vão agora analisar os resultados e avaliar quais as atitudes a tomar em breve.

Tanto os jornalistas da rádio como os da televisão já informaram a administração que rejeitam, como a lei permite, a ordem de serviço que obriga à agregação de várias editorias entre os dois serviços, justificando que não foram consultados nem participaram na decisão do processo de fusão.

O CR da RTP pediu à ERC que se pronuncie sobre o processo de fusão. A lei de 2007 que decretou a reestruturação da RTP e que incorporou nesta empresa a Radiotelevisão, a Radiodifusão e a RTP — Meios de Produção estipula que os serviços públicos de rádio e de televisão funcionam “com plena autonomia editorial no que respeita à sua programação e informação”, pelo que sem a alteração à lei a administração da RTP poderá ter problemas para levar avante esta fusão de editorias e de redacções.