Shannon Stapleton/Reuters
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Cannabis terapêutica pode ajudar animais de estimação?

Veterinário norte-americano defende o uso de "cannabis" para fins terapêuticos em animais, nos casos em que estes se encontrem em sofrimento ou em fim de vida

Animais em sofrimento e com reduzida qualidade de vida podem beneficiar do uso de "cannabis" para fins terapêuticos, assim como já acontece com as pessoas em vários países. Quem defende esta ideia é Douglas Kramer, um veterinário norte-americano que decidiu experimentar uma nova terapêutica com uma cadela em sofrimento e sem apetite.

Quando uma cliente “um pouco excêntrica” mencionou o uso de "cannabis" medicinal como alternativa aos medicamentos e esteróides que a sua cadela tomava, sem qualquer efeito, Kramer foi contra a opinião dos outros médicos da clínica. E decidiu avançar com a administração ao animal da substância activa da droga — o tetraidrocanabinol (THC) —, afirmou em entrevista à revista Vice.

Mas este não é o único caso que Kramer aponta como de sucesso no tratamento de cães em fase final de vida com "cannabis". A sua cadela de raça husky Nikita, que sofria de dores crónicas devido a um cancro, sentiu melhoras imediatas assim que Kramer lhe deu a substância. “Na primeira dosagem, estava a pé e a andar”, disse à Vice. A "cannabis" não a curou, sublinha, mas aumentou a sua qualidade de vida e adiou a eutanásia.

Os gatos também podem ver o apetite estimulado após ingerirem "cannabis", garante Kramer, e há até casos de outros animais, como cavalos, em que a substância ajudou no tratamento de doenças inflamatórias. "Qualquer animal que tenha receptores cannabinóides pode responder [ao THC] da mesma forma que nós. Há estudos que mostram que porcos, galinhas, macacos e ratos têm esses mesmos receptores", continua o veterinário.

Para que os animais não se recusem a ingerir o THC, Kramer criou uma infusão com glicerina, disponível para compra no seu site, o VetGuru. A associação PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) já veio a público apoiar este tipo de tratamento, com a condição de que a droga seja usada “apenas para propósitos medicinais”, disse a presidente da associação, Ingrid Newkirk, à ABCNews.