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Portuguese Sayings: uma página para inglês ver

Página do Facebook ensina ao mundo, através do humor, os provérbios da língua portuguesa, colocando em causa a validade do provérbio "old donkey does not learn languages"

As traduções literais têm resultados imprevisíveis – e alguma piada. Foi com base nesta proposta que Luís Santos, 26 anos, criou, na noite de 23 de Setembro de 2012, os "Portuguese Sayings", página do Facebook, "only for the english to see" (só para inglês ver), que reúne provérbios portugueses que foram traduzidos à letra para inglês.

 

A intenção da página é “divertir as pessoas e, ao mesmo tempo, ensinar aos estrangeiros que falam inglês o significado das nossas expressões e provérbios”, explica Luís, licenciado em Marketing e mestre em Publicidade. “Quando era mais novo, traduzia por brincadeira provérbios portugueses para inglês, pois o resultado era muito divertido”, acrescenta. É mesmo caso para se dizer "it’s from very little that the cucumber is twisted" (é de pequenino que se torce o pepino).

PÚBLICO -
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Luís Santos, 26 anos DR

 

Os versos de Fernando Pessoa descrevem o crescimento e o sucesso dos Portuguese Sayings: "First you strange it. Then, it penetrates you" (Primeiro estranha-se, depois entranha-se). A página tem neste momento mais de 99 mil seguidores, o que deixa o seu criador surpreendido. Luís diz ter uma comunidade muito activa, que envia diariamente centenas de sugestões. Segundo o autor, a página ganha cerca de 100 a 150 novos likes todos os dias.

 

Da diversão para algo sério

A criação da página surgiu numa situação de desemprego. “Estava aborrecido, lembrei-me destas brincadeiras e de como seria giro fazer uma página no Facebook”, explica Luís que "doesn’t play in service" (não brinca em serviço). No dia 21 de Dezembro abriu a loja online dos Portuguese Sayings, permitindo que pessoas de todo o mundo comprem de t-shirts com os provérbios. “Quando criei a página comecei a receber pedidos de alguns fãs para criar uma linha de t-shirts”, conta. Mesmo com o cenário de crise, a loja tem vendido bem, mas Luís espera que a loja possa “ter ainda mais sucesso” na Primavera e no Verão. 

 

“Este negócio foi o meu primeiro passo no empreendedorismo. E sinceramente estou a gostar”, confessa Luís.  “Na altura estava desempregado e no fundo consegui criar, para mim e para os meus associados, alguma fonte de rendimento”, explicando, porém, que a loja ainda não tem rendimentos suficientes para sustentar uma pessoa.

 

Em Fevereiro, Luís participou na conferência Comer, Rir, Fazer! das TEDx Guimarães. “Fui convidado para falar da minha ideia: como surgiu, como foi feita e porque teve tanto sucesso”, conta o criador da página que esteve enquadrado no segmento Rir. 

 

Internet e empreendedorismo

“Para mim, empreendedorismo é ter ideias, trabalhar muito e arriscar”, afirma Luís, acrescentando que “não é nada fácil fazer um negócio rentável nos dias de hoje”. “O Governo diz que é preciso ser empreendedor, mas muito sinceramente acho que não se criam condições favoráveis para sermos empreendedores. Sim, existem incentivos, mas o que vale isso quando temos a economia de rastos?”, conclui o criador da página.

 

“Todos os dias, vejo pessoas a lançarem blogues, páginas no Facebook e sites com ideias de negócio espectaculares e a terem sucesso” comenta, sublinhando que “Portugal não é nada um país de gente preguiçosa”. Luís, para além das obrigações do trabalho, tem também outras  responsabilidades no âmbito dos Portuguese Sayings: responde aos fãs, cria novo conteúdo e divulga a loja. “Nós somos capazes, o problema é sermos governados por incapazes” confessa. 

 

“Acho que não existe empreendedorismo sem internet”, diz Luís, caracterizando-a como uma ferramenta que, ao oferecer “possibilidades infinitas”, é fundamental para fazer crescer novos negócios – basta olhar para o exemplo de Mark Zuckerberg, criador do Facebook. 

 

A todos aqueles que ainda não conhecem a página dos Portuguese Sayings só há uma coisa a dizer: "the worst blind is the one who doesn’t want to see" (o pior cego é aquele que não quer ver).

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