Turistas vão poder dormir em contentores de transporte marítimo na costa alentejana

Contentores vão ser transformados em habitações e instalados em sitios remotos para alojamento de cicloturistas e pedestrianistas

A companhia MSC vai doar alguns contentores para a construção das primeiras habitações
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Dependência um só mercado é particularmente expressiva nas empresas que fazem negócios com a Europa Miguel Manso

Um projecto colaborativo em Sines vai produzir acomodações para turistas amantes da natureza, reutilizando contentores de transporte marítimo, para serem instaladas em locais isolados da costa alentejana e promover o turismo de pedestrianismo e de bicicleta.

Para a construção das estruturas, o projecto Bicycle Ecology envolve várias empresas, como a MSC Portugal, filial da companhia de navegação suíça, que irá “ceder gratuitamente” os contentores para as primeiras unidades, revelou esta terça-feira à agência Lusa um dos mentores da iniciativa, Ricardo Flores.

As acomodações turísticas serão construídas em Sines, em conjunto com o Centro de Formação Profissional da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica (Cenfim), esperando-se que o protótipo esteja concluído durante o mês de Julho.

O projecto, que representa um investimento inicial de 500 mil euros, não tem a intenção de “competir” com as unidades turísticas tradicionais já instaladas na costa alentejana. “Como não necessitam de fundações”, as estruturas podem ser colocadas “em qualquer lugar, até num terreno agrícola”, explicou Ricardo Flores, o que permite oferecer alojamento em zonas “onde não haja”, acrescentou.

O representante da Bicycle Ecology frisou o caracter “amigo do ambiente” do projecto, pela reutilização de matérias “que já foram retiradas à natureza”, bem como pela utilização de materiais naturais, como a cortiça, que irá revestir o interior dos contentores para o isolamento térmico e acústico.

Apesar do conceito e da localização mais remota, as unidades terão “todas as comodidades”, como internet e televisão, não faltando também um sistema de emergência para pedidos de ajuda, alimentados por energias renováveis, eólica e solar, garantiu o responsável.

A rede de acomodações será explorada a partir de um portal na Internet, através do qual os interessados, em qualquer parte do mundo, poderão fazer uma reserva. O preço do alojamento não deverá ir além dos 15 euros, pressupondo um “processo cooperativo”, ou seja, os turistas usam as instalações, mas têm de as deixar limpas e a cama feita de lavado.

“Por experiência, posso garantir que este tipo de clientes se preocupa muito em deixar as coisas muito bem para o próximo”, disse Ricardo Flores. No entanto, acrescentou, “se alguém chegar e tiver uma reclamação (...) basta carregar no botão e enviamos lá um agente para tratar da situação”.

Os responsáveis da Bicycle Ecology esperam que estas ideias de negócio possam ser exportadas, motivo pelo qual, apesar de o projeto ter nascido em Lisboa, decidiram sediá-lo em Sines. Nesta zona do Alentejo, esclareceu Ricardo Flores, estão próximos de uma região “com todas as condições” para o cicloturismo e o pedestrianismo e têm acesso privilegiado aos materiais necessários e ao ponto de expedição, que é o porto de Sines.